No comentário semanal na 21.ª hora, Manuela Ferreira Leite criticou a atitude de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia que foi ouvido no Parlamento.

O requerimento do PSD para a audição parlamentar foi aprovado para que o antigo governante fosse "esclarecer cabalmente" decisões tomadas enquanto esteve no governo, chefiado por José Sócrates, nomeadamente no setor energético e ainda o alegado relacionamento com o Grupo Espírito Santo (GES), segundo "suspeitas que têm vindo a público" de ter recebido dinheiro mensalmente.

Manuela Ferreira Leite recuou para lembrar o que disse quando estas notícias vieram a público "há uns meses".

A questão que se punha com o ex-Miinistro era o facto de ele no seu mandato ter recebido mensalmente uma quantia paga pelo BES. Essa foi a notícia. Foi esse o caso que politicamente fragilizava o Governo, que já tinha no currículo vários casos. Era algo embaraçoso em termos políticos e o PS e BE constituíram uma comissão em que faziam apreciação de toda a política energética e misturaram tudo."

A comentadora defende que os casos deveriam ser separados e que Manuel Pinho apenas teria de responder a uma pergunta, se recebeu ou não dinheiro.

Lembro-me que disse na altura que a audição de Manuel Pinho seria muito rápida porque tinha apenas uma pergunta e uma resposta: "sim" ou "não". Ao embrulharem esse pequeno pormenor no conjunto em causa, partindo da hipótese que esse recebimento tinha tido implicações na política que ele tinha seguido, aqui-d'el-rei que vamos ver a política toda antes de fazerem apenas a pequenina pergunta, que apenas lhe dizia respeito a ele e não com aspetos técnicos que têm a ver com a energia."

Os assuntos foram "misturados" e Manuel Pinho foi ao Parlamento, mas não respondeu a esta pergunta.

Tivemos um espectáculo absolutamente deplorável no Parlamento, lamento que tenha havido um ex-ministro que se esteve a rir dos deputados, e eles prestaram-se a fazer esse favor ao Governo, ao não se importarem de fazer parte de uma comissão cujo objetivo era a política energética e onde por acaso estava lá aquele aspeto que podia ser autonomizado. Há quanto tempo se levantou este problema? Há uma data de meses. Ora, ao fim de 24 horas mesmo que ele estivesse fora e tivesse de apanhar um avião, direi que ao fim de 15 dias poder-se-ia ter uma resposta a esta pergunta."

Manuel Pinho apenas foi ouvido agora e a pergunta continua sem resposta: "Ele agora não respondeu porque estava a coberto de um tema para o qual tinha sido convocado e que na perspetiva dele não tinha nada a ver com o assunto."

No seu comentário, Manuela Ferreira Leite falou ainda sobre a redução de vagas no Ensino Superior em Lisboa e no Porto, criticando a medida. Veja o vídeo e saiba o porquê.