Manuela Ferreira Leite disse, esta quinta-feira, que o Orçamento do Estado para 2015 agradaria à troika porque mantém a receita fiscal como solução para equilibrar as contas públicas. Na TVI24, a antiga ministra das Finanças sublinhou que o Governo poderia ter optado por fazer um Orçamento mais virado para o crescimento, mas ao invés disso manteve o objetivo de reduzir o défice com «uma carga fiscal colossal» maior do que a que havia.

«Parece-me que seria um Orçamento que a troika não desdenharia. Isto é, está verdadeiramente dentro daquilo que eram os parâmetros que a troika poderia estabelecer», disse a comentadora no programa «Política Mesmo». «Mantém-se o objetivo e mantém-se o recurso basicamente à receita fiscal. Portanto, mantém-se o objetivo e mantém-se o meio. Eu não veria porque é que a troika haveria de desdenhar este Orçamento», explicou.

Para Manuela Ferreira Leite, o Orçamento do Estado para 2015 tem muitos aspetos eleitoralistas e o documento mais parece um panfleto de campanha. A antiga ministra das Finanças deu como exemplo a medida referente à possibilidade da sobretaxa de IRS ser devolvida em 2016.

«Eleitoralista é sempre qualquer coisa que se promete e que não se cumpre. Por exemplo, estou a pensar na sobretaxa que está incluída no Orçamento de uma forma que é o mesmo que lá não estar. E portanto está-se a utilizar o Orçamento quase como um texto panfletário de propaganda eleitoral, o que eu acho algo que aí sim é a primeira vez que eu vejo isso num Orçamento», revelou.

Manuela Ferreira Leite realçou que o Orçamento do Estado é, por definição, anual. A comentadora da TVI24 afirmou, por isso, que os portugueses estão a ser enganados e tudo porque foi preciso fazer uma concessão ao CDS-PP.