Manuela Ferreira Leite afirmou que subscreveria totalmente a declaração do Partido Comunista Português (PCP) sobre a eutanásia. A comentadora da TVI24 disse, no seu espaço de comentário semanal na 21.ª Hora, que o tema foi muito politizado quando se trata de uma questão de consciência, que é independente de ideologias.

Eu pessoalmente subscreveria totalmente a declaração do Partido Comunista. É uma questão que não tem nada a ver com política e ideologias”, vincou.

Para a social-democrata, é inadequado dizer que, após a votação no Parlamento, houve um lado que ganhou e outro que perdeu pois a eutanásia “não é nenhum jogo” nem “nenhuma brincadeira”.

Isto não é ganhar ou perder, é algo que é bem mais importante e decisivo para as pessoas, isto não é nenhuma brincadeira, isto não é um jogo.”

A comentadora sublinhou que o aspeto positivo que saiu deste debate foi o facto de se ter colocado em evidência o tecido social do país. Um tecido que descreveu como frágil, envelhecido e pobre.

As pessoas tomaram consciência de que somos uma sociedade frágil, de um tecido social fraco, temos uma população envelhecida e pobre, se pensarmos no interior é isso que se verifica. (...) Não é a mesma coisa esta medida ser aplicada em Portugal e na Suíça. (…) É o tipo de medida que não é indiferente à estrutura social em que ela é introduzida.”

Admitindo que se fosse deputada teria votado contra, Ferreira Leite afirmou que “não é por Rui Rio ter dito que votaria a favor que fiquei em desafinidade com ele”. Pelo contrário, a social-democrata elogiou o que considerou ter sido uma manifestação de “coragem” por parte do presidente do PSD.

O congresso do Partido Socialista foi outro dos temas que esteve em destaque no comentário de Ferreira Leite esta semana. A antiga ministra das Finanças reagiu às palavras de António Costa, que afirmou que o PS é o partido que melhor governa as finanças e a economia em Portugal. 

[Essa frase] Não é verdadeira porque, quando António Guterres saiu, Portugal foi o primeiro país do euro a ter um processo sobre défices excessivos. Era o primeiro país a violar os tratados orçamentais. Depois, o engenheiro Sócrates quando saiu deixou o pais à beira da bancarrota com o FMI cá dentro.”

E sobre a atual governação, Ferreira Leite notou os indicadores positivos "como o desemprego, o crescimento económico, a descida do défice", mas deixou o aviso:

Não nos podemos esquecer que estamos a beneficiar de uma conjuntura externa ímpar, que está a terminar. Não é simplesmente fruto de uma boa gestão, é fruto de muitas coisas que nós não controlamos."

Mais, a comentadora criticou a falta de medidas do Executivo socialista para as empresas, nomeadamente ao nível do alívio da carga fiscal.

Para isto ser sustentável é necessário que o país seja competitivo e para isso é preciso que as empresas possam competir e isto não é possível com esta carga de impostos. (...) Se não se baixar a carga fiscal como é que se cresce?