Manuela Ferreira Leite critica a Comissão Europeia porque a sua intervenção no Orçamento do Estado aconteceu aquando do projeto do documento e, agora, se é necessário confiança e crescimento económico para Portugal como o exigem, não deviam estar a levantar desconfiança sobre o Orçamento do Estado. Defendeu a comentadora no seu espaço habitual na TVI24, esta quinta-feira à noite.

A Comissão Europeia tem "uma intromissão demasiada nos Governos dos países porque a intervenção das instituições europeias já foi feita aquando foi para lá o projeto de orçamento", disse a comentadora, sublinhando que, nesta altura, Portugal precisa de confiança das instituições internacionais e a Comissão Europeia deve esperar pelos resultados do Orçamento.

O ambiente de desconfiança criado pela Comissão Europeia é “bizarro” quando o objetivo é exatamente o oposto. 

“São eles próprios que contribuem, mais do que qualquer outra instituição, para negar aquilo que estão a fazer”, disse a ex-ministra das Finanças em relação às polémicas declarações de Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, sobre possíveis medidas adicionais que estariam a ser preparadas por Portugal para “quando” e “se” necessárias.

PCP, BE e Verdes foram o “ponto negro” da tomada de posse

Sobre o dia da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, Ferreira Leite considera que a postura da bancada comunista foi o “ponto negro” do dia e revela “falta de sentido institucional”.

A comentadora da TVI24 considera que o Presidente da República teve um “discurso excelente” sem ofender nenhuma ideologia política. Mas “há setores na sociedade portuguesa, representados pelos respetivos partidos, que deixaram ficar mal as pessoas que votaram neles”, disse referindo-se à bancada comunista que não se levantou, nem bateu palmas. “Foi uma posição que representa uma falta de sentido institucional que não é própria de uma democracia madura”, frisou.

Não é possível que numa cerimónia daquelas, protagonizada pela Presidente da República eleito pelos portugueses, haja manifestações contra. Não se levantaram, não aplaudirem é algo que lhes fica tão mal e os põe tanto à parte de tudo o que é a sociedade portuguesa. Acho que é lastimável”.

Marcelo “vai ser igual a si próprio”

A comentadora refere, ainda, não ter nada a antecipar sobre o mandato do Presidente da República porque os comentários surgem ao longo do tempo de governação.

“Em relação ao presente, acho que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa vai ser igual a si próprio e é sempre bom que uma pessoa seja igual a si própria e não altere a sua forma de ser e de estar só pelo facto de ser Presidente da República”, disse no programa Política Mesmo.

Sobre as quebras de protocolo de Marcelo Rebelo de Sousa durante o dia de tomada de posse, Manuela Ferreira Leite refere ser “é um tipo de atitude que não é surpreendente nele porque antes de ser Presidente da República ele fazia coisas deste estilo”.

Não acho que ele faça isso para agradar às pessoas, acho que ele faz isso porque ele gosta e sente-se bem

Para a ex-ministra das Finanças o êxito do agora Presidente da República não deve ser relacionado com qualquer outra personalidade política, tendo mesmo um “efeito redutor” para Marcelo se quisermos justificar o seu sucesso com o “cansaço” das pessoas em relação a Cavaco Silva.

“Acho que cansado é uma forma muito forte de definir a relação das pessoas em relação ao Professor Cavaco Silva, porque é muito difícil e injusto fazer-se o julgamento do Presidente da República no dia a seguir a ter terminado o seu mandato”, disse.

Apesar de não negar a sua estima e amizade a Cavaco Silva e, também por isso, defender a sua imagem, Manuela Ferreira Leite não valoriza os dados que o colocam como o Presidente cessante mais impopular de sempre no término do mandato.

“Não sei o que é que é isso do índice de popularidade nem como se mede”, sublinhou acrescentando que não devemos “esquecer que os mandatos do Professor Cavaco, principalmente o último, está marcado por uma crise tremenda no país” que criou “mal-estar e um certo sentimento de culpabilização de todos os protagonistas políticos”.