«[Alguma vez se ouviu] alguma organização patronal queixar-se dos encargos com pessoal? Eu não. Porque se houve reforma feita durante o período da troika foi a reforma laboral, da legislação do trabalho. (…) Quando estamos num país onde se oferecem empregos a engenheiros [e informáticos] por 500 euros, um salário mínimo, não me venham dizer que os encargos com pessoal é o que está a estrangular as empresas, e [mesmo que fosse] as empresas só por esse motivo vão contratar pessoal. [As empresas] contratam pessoal quando precisam para produzir, porque o consumo é maior do que o que conseguem [colocar no mercado]. (…) É a mesma coisa que irmos aos saldos e chegarmos a casa com uma data de coisas que não precisamos para nada, mas como foram muito baratas fomos comprá-las. (…) Isto não cria um posto de emprego»


«Não acredito que esta medida vá para a frente, [porque iríamos criar] a insustentabilidade da Segurança Social. (…) [As perdas da Segurança Social só podem ser colmatadas] com uma de duas formas: ou aumentando a contribuição dos trabalhadores, [como era intenção] em 2012, ou baixando as pensões porque não há dinheiro. Portanto, qualquer destas soluções significa virmos para o ano, ou [daqui a] dois anos demonstrarmos por A+B que bem queríamos ter uma Segurança Social melhor, bem queríamos não baixar as pensões, bem queríamos dar um subsídio de desemprego maior, só que não há dinheiro. É insustentável».


«Como precisa de mais medidas então toma logo uma que a torna insustentável, resolve o problema só de uma vez. Não é possível dizer ao mesmo tempo que temos uma Segurança Social que precisa de medidas para ser sustentável, o que considero verdade (…) [e depois avançar] por uma medida que [vai] matar de vez a possibilidade de [a] recuperar. Acho que não é aceitável em local nenhum, nem situação nenhuma. (…) Isto seria uma machadada que tornaria insustentável de forma irreversível a situação da Segurança Social».

Greve da TAP: «A sociedade está doente»


mostra que a «sociedade está doente»

«Não sou capaz de perceber quais são os motivos que podem justificar que as palavras já não cheguem e, muito menos, os acordos escritos já não cheguem. A única leitura que eu posso fazer disto, e a que farão muitos portugueses, é a ideia que as instituições não se respeitam mutuamente. E uma sociedade [onde isto acontece] é uma sociedade que está doente».