José Gusmão, do Bloco de Esquerda, afirmou que a devolução da sobretaxa do IRS, anunciada pelo Governo, é uma política de terceiro mundo e mais valia o Executivo de Pedro Passos Coelho “oferecer torradeiras”. O bloquista acrescentou, num debate sobre o balanço da legislatura e a campanha eleitoral, no programa "Política Mesmo" da TVI24, que se trata de uma medida compreensível para um Governo que fala “chinês” com os portugueses.

“É compreensível que um Governo que tem um discurso tão alheado da realidade, que soa a chinês para os portugueses tenha de desencantar políticas de terceiro mundo como esta da devolução da sobretaxa. O Governo cobrou uma sobretaxa de 3,5% e vem agora dizer que vai devolver um quinto dessa sobretaxa, ou seja, vem dizer ‘votem em nós que nós vamos devolver um quinto daquilo que vos tiramos'. Mais valia estarem a oferecer torradeiras.”


As “torradeiras” exaltaram os ânimos e o deputado centrista Diogo Feio prontamente respondeu que “as pessoas e os impostos que pagam, não são uma brincadeira”.

Já Ana Gomes, do Partido Socialista, referiu-se à devolução da sobretaxa como uma “banana que o Governo atira em alternativa ao caos”.

O debate moderado por Paulo Magalhães abordou ainda o apelo do Presidente da República em relação às legislativas. Recorde-se que Cavaco Silva pediu uma maioria absoluta em nome da estabilidade política e da governabilidade.

E sobre esta matéria a socialista Ana Gomes disse que Cavaco Silva “já era” pois “tem-se comportado como um Presidente de fação” e que o importante não é uma maioria, mas o programa eleitoral e a ideia de fazer uma política diferente.

“Não é a maioria em si que faz a diferença. É que programa e que gente competente é que a se tem para de facto fazer uma politica diferente da que este Governo tem feito.”


Para João Oliveira, do PCP, Cavaco Silva procurou “condicionar as escolhas dos portugueses”. O comunista deixou críticas ao Presidente da República, acusando-o de fazer "arranjinhos para que tudo fique sob o controlo dos mesmos", e também ao Partido Socialista por anunciar "namoros" e "promessas de casamento" com a direita.

"O Presidente da República vai patrocinando todo os tipos de arranjinhos para manter as coisas sob o controlo dos mesmos e vamos assistindo a anúncios de namoro ou promessas de casamento quer da parte do PS quer da parte do PSD. Por exemplo, o programa eleitoral do PS diz que para se fazer um determinando investimento estruturante é preciso haver uma maioria de dois terços na Assembleia da República. Com quem é que o PS se quer entender? Está-se a tornar mais claro que entre estes três partidos não há grandes diferenças."


O PEC4 foi outro dos motivos para uma troca de farpas à esquerda, desta vez com José Gusmão a atacar o Partido Socialista.

"Quando vemos o PS a dizer que o PEC4 é que era bom percebemos que não há qualquer vontade de inverter a lógica de governação do Partido Socialista."


Farpas que, de resto, foram aproveitadas por Carlos Abreu Amorim (PSD), que afirmou que de um lado há "uma esquerda partida, onde se atiram culpas uns aos outros" e do outro "uma coligação que sabe o que quer e que funciona".

"De um lado há uma coligação que sabe o que quer e que funciona. Temos uma esquerda partida, fraccionada, onde atiram culpas uns aos outros e do outro lado uma coligação que põe o país à frente de qualquer outra preocupação e que tem um rumo."