O comentador da TVI, Henrique Medina Carreira, não ficou surpreendido com a vitória da coligação PSD/CDS nas eleições de domingo, um cenário que se tornou bastante previsível nos últimos dias da campanha eleitoral.

No programa “Olhos nos Olhos” da TVI24, Medina Carreira disse que o PS acabou prejudicado pelo “barulho” e “folclore” que introduziu na campanha eleitoral, ao contrário da coligação PSD/CDS que soube agir mais cautelosamente.

“O PS foi perdendo gás nos últimos meses e já era relativamente previsível este resultado, a dúvida seria se chegariam à maioria absoluta. Há um ano ninguém pensaria que o resultado seria este, mas nos últimos tempos já se podia pensar que a ‘absoluta’ até seria possível. (…) Creio que a coligação PSD/CDS soube agir mais adequadamente, com mais prudência, menos folclore e menos barulho. Acho que a nossa sociedade hoje não é muito sensível ao barulho, pelo contrário, assusta-se com a confusão que é lançada. (…) A serenidade, sobretudo, de Passos Coelho acho que lhe [foi] muito favorável, a ele, ao partido e ao país.”


Já António Barreto, sociólogo convidado no programa desta terça-feira, considerou que o Partido Socialista enfrentou várias dificuldades durante o último ano e meio, como a prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que prejudicaram seriamente os resultados eleitorais. Uma situação que deixa António Costa numa posição difícil.

“António Costa está numa posição muito difícil, o que já se percebia durante a campanha. O PS está muito fragmentado, tem três ou quatro grandes ‘feudos’, quase organizados entre si: mais à esquerda, mais à direita, mais amigo deste ou do outro. O processo que corre contra José Sócrates [também] não ajudou nada, [aliás] teve um efeito [negativo] em todo o país.”

Esta divisão interna, diz Barreto, uma separação entre o discurso mais sereno e cauteloso, e o mais próximo do radical, dividiu a campanha eleitoral do PS em duas, 'estratégia' que naturalmente não podia resultar.

“O PS acabou por fazer duas campanhas em paralelo: havia um Partido Socialista quer era cordato, tinha um plano europeu de desenvolvimento económico, de revisão de políticas de austeridade, mas com calma e serenidade, com algum prazo, e outro PS que vociferava e que insultava os adversários à esquerda e à direita, que fazia permanentemente promessas de eventuais coligações à esquerda… Uma campanha feita desta maneira não pode resultar.”


Perdidas as eleições para a coligação, e dada a situação de instabilidade que pode resultar de um Governo sem maioria absoluta, António Costa terá de decidir se aceita disponibilizar-se para chegar a um acordo com Pedro Passos Coelho. E o mesmo, serve para o líder do PSD.

“A minha convicção é essa. Se nos preparamos para viver um ano, dois anos, três anos com mais desperdício, mais minorias, mais negociações, (…) com uma maioria aritmética no parlamento que está constantemente a fazer leis contra o Governo (…) vamo-nos atrasar, desperdiçar energias, aumentar a despesa pública, vamos recomeçar com o processo de endividamento, e talvez convocar novas eleições daqui a um ano. Tudo isto é evitável se desde já o António Costa disser ao país ‘eu estou pronto’, ou se o Passos Coelho disser ao país ‘eu convido o PS a entrar’. A solução política para Portugal depende de um destes dois homens.”