Manuela Ferreira Leite analisou, esta quinta-feira na TVI24, a rentrée politica e classificou as discussões entre Governo e oposição como “absolutamente inúteis”. A ex-ministra das Finanças também não se escusou de comentários ao discurso do passado adotado pelo líder social-democrata, alertando que “não é bom para o PSD”.

No momento em que se prepara o orçamento do Estado para 2017, na opinião da comentadora da TVI24 “tanto o governo como as oposições devem estar a negociar qual é a linha politica que se espera no próximo ano”. Mas os discursos de ambos os lados têm sido, na sua análise, contrários a esta expetativa.

“O Governo mantém-se preocupado em desmanchar ou anular aquilo que foi feito anteriormente e toma isso como uma grande medida de futuro para o país. E a oposição também se desgasta a confirmar a bondade de tudo o que fez”, disse Manuela Ferreira Leite sublinhando que “isto não é projeto nenhum para futuro.

Para a ex-líder social-democrata, esta “ausência total de pensamento” sobre o que se vai passar na política do país cria incerteza sobre o trabalho que está a ser realizado nos bastidores nesta rentrée.

Estamos todos a discutir aspetos que não são propriamente lateral, são absolutamente inúteis”, acusou a comentadora.

Bandeira do défice “não é projeto” para um país

Ferreira Leite considerou também que a discussão em torno das décimas que faltam definir sobre o défice de 2015 não são, nem devem ser considerados, “fatores de transformação do país”. E foi mais longe, afirmando que “para um país [a bandeira do défice] não é projeto”.

Para a comentadora da TVI24, a questão do défice “não muda nada no país”, mas causa distração sobre outros assuntos fulcrais da vida das pessoas, como o desenvolvimento económico e social.

Há uma visão estreita ou nula relativamente àquilo que são os problemas do país, e portanto nessa visão estreita aquilo que se considera como luta política é algo que não tem o mínimo dos sentidos”, criticou a ex-ministra.

Manuela Ferreira Leite atacou a classe política nacional e não olhou a partidos. Para a ex-líder do PSD os agentes políticos “estão muito envolvidos em saber quais são as melhores perspetivas e o melhor caminho para ganhar eleições”.

Quem está na oposição acha que a forma de ganhar o poder é conseguir chegar ao momento de dizer ‘eles falharam, erraram na política, cá estou eu para fazer melhor’, mas quando o cá estou eu para fazer melhor se pode limitar a defender e confirmar medidas, que neste momento são postas em causa por toda a gente, até mesmo pelo Nobel da Economia Stiglitz, acho que o PSD, que é um partido com dimensão, não se pode limitar a este tipo de raciocínio”, disse aludindo ao discurso adotado por Pedro Passos Coelho.

O líder da oposição tem vindo a ser acusado pela esquerda de ter um discurso derrotista e virado para o passado. António Costa chegou mesmo a dizer que Passos Coelho “é uma tristeza” e que não apresenta propostas válidas.

Vai ser difícil continuarmos a vender aos portugueses que nada mudou, que a política de 2011 estava certa, mas hoje, em 2016, não há nenhum economista que confirme ou defenda que as políticas seguidas, aplicadas pelas instituições internacionais, eram corretas e foram boas. Não há ninguém que o diga!”

A ex-líder do PSD afirmou ainda que o facto de Pedro Passos Coelho se mostrar convencido dessa ideia, “o impede de fazer um discurso diferente”.

Estou verdadeiramente convicta de que se o discurso de mantém assim, não é bom para o PSD”, disse Ferreira Leite relembrando que continua a ser militante do partido e que acredita na ideologia social-democrata.

Refugiados: muro em Calais “não é política”

Outros dos assuntos abordados, esta quinta-feira, pela comentadora da TVI24 focou o problema dos migrantes na europa e a recente notícia sobre a construção de um muro no campo de refugiados em Calais, com vista a impossibilitar a entrada clandestina destas pessoas no Reino Unido.

Para Manuela Ferreira Leite os países europeus não têm conseguido responder ao problema de forma eficaz e cada um tem dado prova da sua anarquia na resolução da crise. E sobre a construção do muro, só tem a dizer que são reações “ao nível da Idade Média”.

Não há nenhuma proposta de solução e cada um dos países reage à sua maneira da forma mais absurda que poderá resolver”, criticou a social-democrata.

Sobre a possibilidade da construção de um muro que divida a Europa do Reino Unido, que mais dia, menos dia saíra EU, Ferreira Leite sublinhou outra questão. Ainda ninguém disse “o que vai acontecer às pessoas que ficam do lado de cá do muro, em França”.

Manuela Ferreira Leite disse ainda que “isto não é política” porque a solução até poderá passar por ajudar os migrantes a resolverem os problemas internos nos seus países de origem, em vez de abrirmos portas a todos os que querem viver o sonho europeu.

Estamos todos agarrados ao pormenor e estamos todos esquecidos da orientação política”, resumiu a social-democrata.