No final de uma semana em que a Itália voltou a recusar a entrada de mais um barco com migrantes, regatados na costa da Líbia, o comentador da TVI Paulo Portas considerou, no Jornal das 8, “triste” o papel que a Europa está a desempenhar em matéria de imigração.

A figura que a Europa está a fazer em matéria de imigração é uma tristeza. (…) Nenhuma das soluções que estão em cima da mesa é duradoura ou sequer moralmente aceitável, no equilíbrio das coisas que estão em causa. A ideia da senhora Merkel, que está ameaçada no seu mandato (tudo isto pode acabar numa séria crise política na Alemanha ou numa grande divisão entre os países do antigo Leste europeu e os países do Centro e do Sul da Europa) é criar campos de refugiados (…) seja na Albânia, seja na Tunísia, seja na Líbia. Não é bonito, embora possa resolver provisoriamente o efeito chegada e o efeito chamada”, considerou, no seu espaço de comentário "Global", todos os domingos, no Jornal das 8 da TVI.

Paulo Portas recordou o acordo, no mesmo sentido, que a Alemanha já fez com a Turquia, que fez “cair a pique” os pedidos de asilo no país, embora não tenha sido essa a percepção criada na opinião pública. Lembra Portas que “quanto mais o número de refugiados cai, mais o sentimento securitário sobe”, o que justifica o facto de todas as sondagens apontarem para os alemães estarem “cada vez mais a favor de fechar fronteiras e recusar a entrada de imigrantes”.

A imigração dominou o comentário deste domingo. Paulo Portas falou também da recente polémica da separação de pais e filhos, na fronteira de entrada dos Estados Unidos.

Basta ter o módico de sensibilidade e bom senso que não é próprio do mundo ocidental, embora não seja novo nos Estados Unidos, separar pais e filhos, no âmbito de uma política pública. Era evidente que isto não era uma coisa que pudesse ilustrar a América. Isto não é a América, isto não é o Ocidente.”

 

Mas estamos a falar de imigração ilegal. É bom que as pessoas saibam, lá em casa, que a América é o país do mundo que acolhe mais imigrantes legais, um a 1,5 milhões de imigrantes legais por ano.”

 

Agora, para mim, as coisas são muito simples: não se separam pais e crianças, não se separam as mães das crianças. Portanto, ou são acolhidos conjuntamente ou são repatriados conjuntamente”, resumiu.

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