Manuela Ferreira Leite comentou, esta quinta-feira, no seu espaço de opinião na TVI24, a explicação dada pelo Governo para a mudança do Infarmed para o Porto. Para a ex-ministra das Finanças, o Governo não respondeu a nada e cometeu um erro ao "encaixar tema do Infarmed na descentralização".

Eu fiquei foi preocupada [com a resposta do Governo]. Fiquei preocupada porque a oposição quer saber se vai ou não vai - foi a pergunta - e o Governo disse que queria que fosse, o que parece uma resposta de criança porque as crianças querem porque sim, mas não têm outros motivos. Ficámos sem saber o essencial que era aquilo que a oposição devia ter perguntado e era aquilo que o primeiro-ministro devia ter explicado", considerou a comentadora da TVI24, acrescentando que a pergunta devia ter sido "quais são os motivos que justificam que o Infarmed funcionará melhor no Porto do que funciona em Lisboa".

Manuela Ferreira Leite considera assim que o uso da "descentralização" como motivo para "transferir o Infarmed para outro local" não é o correto porque "descentralização não é mudar coisas de um lado para o outro".

A comentadora diz ainda que "é muito preocupante" que a pergunta correta não tenha sido feita porque esse "é o exemplo típico de como se pode matar a descentralização".

O tema da descentralização não nasceu agora. (...) Portanto, não é agora, mudando um serviço, pegar num serviço, e pondo-o ali que eu posso chamar a isso uma descentralização. Não é uma descentralização", afirmou.

Manuela Ferreira Leite lembrou ainda que o problema da descentralização "não é uma luta entre os bons e os maus, entre os melhores e os piores", mas sim o "desenvolvimento do país". 

A descentralização que eu defendo é uma descentralização que serve para animar e desenvolver zonas do país que precisam de ser valorizadas. Não é um problema de 'não sei porquê mas quero que isto passe daqui para ali. Isso não é descentralização".

Para a antiga ministra, "é demais preocupante" encaixar o problema do Infarmed no tema da descentralização porque isso quer dizer que a mudança "não é para melhorar o país".

Eu acho isso gravíssimo".

Centeno no Eurogrupo: "A Europa está espelhada na figura dele"

Outro dos temas abordados no comentário de Manuela Ferreira Leite foi a eleição de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo. Para a comentadora da TVI24, considera que a Europa está agora centrada na figura do ministro das Finanças português, uma figura que considera "tecnicamente bem preparada".

"A eleição de Mário Centeno simboliza uma alteração profunda da orientação política da Europa. Aquilo que a Europa precisava, como de pão para a boca, era ver um exemplo de êxito, algo que dissesse 'a política que nós seguimos estava correta'. (...) Do ponto de vista externo, é assim que eu vejo isto. Do ponto de vista interno, eu acho que há aqui uma ironia do destino que tanto se aplica ao Governo como à oposição".

Para Manuela Ferreira Leite, a eleição de Centeno é ainda "a anulação total do discurso de catástrofe" da direita e também para os partidos que apoiam o Governo uma "consagração de um ministro por instituições que eles não aceitam". 

"Tudo aquilo que é a ideia que tem transmitido que todos os progressos do país se devem à intervenção do PCP, do Bloco de Esquerda, dos Verdes, que se deve ao apoio que eles deram ao Governo, (...) influenciaram de tal forma que satisfizeram os objetivos das instituições europeias que o ministro que os representa foi considerado o melhor deles todos", afirmou Manuela Ferreira Leite.

A antiga ministra diz ainda que a eleição do ministro das Finanças fará ainda com que BE e PCP apresentem "contrapartidas para que continuem a apoiar Governo".