Constança Cunha e Sá considera que a forma como o ministro da Economia, António Pires de Lima, e o resto do Governo, lidou com o acordo com os sindicatos da TAP, mostrou a «falta de liderança e coordenação» do Executivo.

A comentadora da TVI24 diz não conseguir «perceber» como durante um dia inteiro ninguém ligado ao Governo tenha desmentido que uma parte dos trabalhadores da empresa não estariam protegidos do despedimento coletivo. Teve de ser o primeiro-ministro a fazê-lo no debate quinzenal, para se perceber que «afinal não havia metade da empresa que podia ir para a rua e outra que não podia».

«[Esta situação] mostra uma forma de governar com uma certa arrogância, uma certa impunidade até. Como é que se diz uma coisa e no dia seguinte se diz outra completamente diferente? (…) Mostra uma enorme inconsistência e uma falta de liderança e coordenação no Governo (…), porque mostra que o primeiro-ministro estava alheado deste facto. Foi preciso chegar ao debate quinzenal para se esclarecer que afinal não havia metade da empresa que podia ir para a rua e outra que não podia», afirmou.


Cunha e Sá não acredita que realmente pudesse ser possível que alguns trabalhadores ficassem excluídos da proteção contra o despedimento, por não terem assinado o acordo com o Governo, mas não compreende como a ideia foi defendida durante «24 horas». Para a comentadora isto mostra a forma de governar do Executivo, que passa pela «retaliação, chantagem» e pelo lema «quem não está connosco está contra nós».

«Não consigo perceber como é que passou pela cabeça de um ministro [da Economia] e um secretário de Estado (…) uma ideia destas. Como é que isto é defendido durante um dia inteiro?! Durante 24 horas aparece um Governo a defender isso. (…) É absolutamente extraordinário que se transforme a privatização da TAP num ato de retaliação contra trabalhadores que viram os seus sindicatos recusar o acordo com o Governo. Isto mostra a forma como este Governo governa: com retaliação, chatagem, "quem não está connosco está contra nós”, etc. Isto foi possível durante um dia», disse Cunha e Sá.