A coligação PSD e CDS-PP até quis marcar calendário e antecipar-se em dois dias ao PS, que vai divulgar o seu programa eleitoral final, para apresentar as linhas orientadoras que irão integrar o seu. Fê-lo esta quarta-feira. E o que apresentou é "uma mão cheia de nada", segundo Constança Cunha e Sá.

No seu habitual espaço de análise na TVI24, a jornalista e comentadora do canal começou por constatar que as promessas que a maioria designa por "garantias" pecam por omissões.

"O caso das pensões, é gravíssimo. Não se pode acenar com corte de 600 milhões e não haver qualquer referência à forma como foi feito e não haver sequer referência ao número. Não foi só a ministra das Finanças a ser eliminada desta apresentação. Foi o próprio Programa de Estabilidade. Estes discursos valem muito pelas omissões"


Constança Cunha e Sá entende que os dois documentos apresentados - linhas orientadoras e carta de garantias -  não têm nada de novo.

"A coligação não acrescenta nada ao que foi anunciado, não se compromete com nada. Isto é uma mão cheia de nada"

 
Cunha e Sá quis frisar, ainda, que há promessas que contrariam, no seu entender, o que foi feito por este Governo: "Na defesa do Estado Social aparece como exemplo a saúde, um setor que se degradou imenso nos últimos anos. 
E nos principais desafios vêm a demografia e qualificação e foi o Governo que pior fez pela qualificação das pessoas, tanto ao nível do superior e do secundário". 

Também presentes no jornal das 21 horas da TVI24 estiveram um dos editores de economia da TVI, Vasco Rosendo, e o diretor do Observador, David Dinis. 

David Dinis classificou este programa (linhas orientadoras) como "assumidamente modesto" e assinalou que "a direita não conseguiu evitar de todo algumas promessas".  

"Tem uma virtude e defeito: precisamente previsível, totalmente antecipável e muito modesto. A virtude é que ultrapassámos a barreira de ter de prometer tudo. O defeito é sem nenhum refrescamento, no mínimo não é preciso 1h20" para anunciar as promessas"


Foi esse o tempo que demoraram os discursos de apresentação do documentos, incluindo de Passos Coelho e Paulo Portas. 

Já Vasco Rosendo salientou que o que foi hoje apresentado é um "decalque com mais alguns detalhes em relação ao Programa de Estabilidade" e chamou a atenção para uma questão: "Não é dada resposta a nenhuma das críticas feitas ao Programa de Estabilidade, que foi considerado (...) pelo Conselho Finanças Públicas e pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental como vago, por não detalhar medidas em concreto para compensar o início remoção da austeridade, e arriscado pelo cenário macroeconómico otimista".

Ora, este documento "é ainda mais otimista", o que "aumenta as dúvidas", fez notar o editor de economia da TVI, aludindo à meta do défice de 2,7% para este ano, que o Governo diz agora que vai ficar claramente abaixo desse valor.