Constança Cunha e Sá considera que o facto de o primeiro-ministro estar a adiar o anúncio de medidas para a Segurança Social para depois das eleições é um sinal de que pode vir aí um novo corte nas pensões, e Passos Coelho apenas não quer arriscar perder votos.

A comentadora da TVI24 disse que como grande parte dos votos do PSD nas últimas eleições vieram de reformados, o PM está a adiar, para depois das legislativas, qualquer anúncio de nova austeridade em volta das pensões, ainda que “o número [‘600 milhões’]” em cortes já tenha sido avançado. Cunha e Sá diz que este número não pode ter saído “do nada” e deve ser justificado.

“[Passos Coelho disse] que foi detetado um problema e que [existe] um número: 600 milhões. O que nos leva [a uma] conclusão: não há medidas nenhumas, mas têm um número mágico que são 600 milhões. Qualquer pessoa pode perguntar ao primeiro-ministro: de onde saem estes 600 milhões? Se não têm propostas, se não têm reformas, se não têm medidas, se a página está em branco, de onde surgem estes 600 milhões? Do nada? Foi alguém que palpitou que precisamos de 600 milhões para compor o défice?”, questionou a comentadora.

Cunha e Sá acrescenta que o número está a levantar “desconfiança” e que o primeiro-ministro pode estar “a mentir”.
 

“Começa a haver uma desconfiança quanto a isto. (…) A verdade é que [existe] um número e se o primeiro-ministro diz que não há medidas das duas uma: ou aquele número é fruto de uma enorme irresponsabilidade, ou o PM está a mentir. (…) Aquele número tem de estar fundamentado”.