Constança Cunha e Sá considera que o facto de o Governo não saber da existência da lista VIP não desresponsabiliza o Executivo de nada ter feito em relação aos alegados acessos indevidos aos dados dos contribuintes por parte de empresas privadas.

No comentário na TVI24, Cunha e Sá diz que tanto o secretário de Estado, Paulo Núncio, como a ministra das Finanças devem ter sido informados para o que se estava a passar, nomeadamente, as «centenas e centenas» de pessoas de fora da Autoridade Tributária (AT), que acediam a dados confidenciais.
 

«O facto do Governo não saber [da existência da lista VIP] não o desresponsabiliza politicamente, e não só em relação à lista VIP. Nós já sabíamos que havia processos disciplinares, acessos indevidos por parte de funcionários da Autoridade Tributária aos registos e às fichas dos contribuintes. Não sabíamos é que isto era feito de uma forma totalmente indiscriminada, sem qualquer tipo de controlo, (…) e que havia centenas e centenas de pessoas fora da AT, nomeadamente empresas privadas, que tinham acesso a estas informações, nas mesmas condições que os funcionários da AT tiveram, tinham, ou têm»

«Como é que isto é possível? O secretário de Estado, a ministra das Finanças não foram alertados para a quantidade de processos disciplinares que havia? Ninguém [da AT] explicou que aquilo era o salve-se quem puder e qualquer pessoa podia pegar na ficha de qualquer pessoa?»


Dada a situação, a comentadora da TVI24 diz que o primeiro-ministro não devia ter elogiado os funcionários da AT, e critica o facto de pelo menos Paulo Núncio não saber o que acontecia.

«É gravíssimo e não se percebe como chegámos a este ponto. Como é que o Governo chega e diz “não tenho responsabilidade nenhuma sobre isso”. (…) Ainda ontem o primeiro-ministro fez um grande elogio aos funcionários da AT, com base em quê? Não me parece que isto mereça elogio nenhum. Algo está muito errado na Autoridade Tributária e no acesso aos registos. O Governo não sabia que havia empresas que tinham acesso? Não sabia que havia duas mil e tal pessoas fora da AT que tinham acesso indiscriminado aos dados dos contribuintes? (…) Então para que é que existe Governo? O que está lá a fazer Paulo Núncio?», disse Cunha e Sá.