Na sequência da investigação ao caso dos vistos gold e da demissão do ministro da Administração Interna, Constança Cunha e Sá problematizou esta segunda-feira, no  espaço de análise na  TVI24 , as razões e consequências da saída de Miguel Macedo, afirmando que o que a choca não é a sua demissão mas o pedido do primeiro-ministro.
 
«Como é que com um escândalo destas dimensões, em áreas tão sensíveis como a segurança e a justiça, o primeiro-ministro achou que podia assobiar para o lado, e que o ministro se mantinha, independentemente das consequências do que se estava a passar».
 
«Quando um diretor dos serviços de estrangeiros e fronteiras é detido, isto tem uma dimensão gravíssima, estamos a falar de um polícia, de um diretor da polícia, que faz deixar a Europa, por assim dizer, de pé atrás», acrescentou a comentadora, sublinhando que Manuel Jarmela Palos assumiu cargos internacionais.

Esta demissão, de Miguel Macedo, «põe em xeque o governo», «põe em xeque as decisões, a política do primeiro-ministro», e ainda ministros «como Paula Teixeira da Cruz e Crato».

Constança Cunha e Sá defendeu, no entanto, que Miguel Macedo pelo menos tinha «uma coisa que falta muito a este governo», que é o «bom senso», afirmando ainda que «era um ministro que tinha peso político junto de Passos Coelho».

Sobre a alegada resiliência, e apreço sobre a coesão do governo de  Passos Coelho, Constança mostrou-se convicta de que «não temos coesão nenhuma no governo hoje em dia», e que aquilo a que «estamos a assistir é o governo a cair de podre», em que os ministros caem e «não há estratégia nenhuma para a sua substituição», ainda que saiam «a tarde e más horas», segundo a comentadora.

Constança aproveitou ainda para frisar que não será fácil «arranjar alguém que dê a cara pelo governo», «por uma pasta importante», e «com dossiês complicados ainda por gerir».