A comentadora da  TVI24, Constança Cunha e Sá, considera que as contas do Instituto Nacional de Estatística sobre o défice vieram baralhar as contas dos votos da coligação. A reação do primeiro-ministro e candidato da coligação Portugal à Frente, sublinha, foi “sem sentido absolutamente nenhum”.

Na rubrica Sobe e Desce, na 21ª Hora, a comentadora diz não perceber porque Passos disse que está contente com o adiamento da venda do Novo Banco, que permitiu encaixar 120 milhões de euros de juros. “Estamos a falar de um investimento de 4,9 mil milhões, falar nos juros parece-me ridículo”, afirmou.

Para Constança Cunha e Sá, os números do défice são uma descida no percurso “ascendente” do Governo, e que revela que a justificação para a austeridade, do equilíbrio das contas públicas, afinal não se verificou. “As contas vão continuar muito erradas em 2015”, antecipa.

A nota positiva da comentadora da TVI24 vai para o Papa Francisco, que está numa visita oficial aos Estados Unidos da América por cinco dias, depois de ter primeiro visitado Cuba. Constança Cunha e Sá sublinha a “grande sintonia” entre Barack Obama e o Papa, “que não fugiu às questões políticas, económicas e sociais”.

Aliás, refere, Francisco apresentou-se na Casa Branca como filho de emigrantes. “O Papa tem sido a única voz de peso que se tem oposto a este sistema em que vivemos”, com uma grande frontalidade em relação aos assuntos do mundo”.
 

Sobe

“Foi recebido como o Papa da esperança e apresentou-se como o filho de emigrantes. Houve uma grande sintonia entre Obama e o Papa, que não fugiu às questões políticas, económicas e sociais. Acho que Francisco se afirma cada mais como uma das grandes figuras da humanidade, com um pontificado marcado pela misericórdia e por uma grande frontalidade em relação aos assuntos do mundo: refugiados, denúncia do sistema financeiro que nos governa…”

 

Desce

“Passos Coelho diz que quanto mais tempo demorar a vender o Novo Banco mais o Estado recebe. Estamos a falar de um investimento de 4,9 mil milhões, vir falar de juros de 120 milhões parece-me ridículo. Depois, esses juros não têm efeitos orçamentais, e o dinheiro que o Estado injetou paga juros aos credores internacionais. Isto não tem sentido absolutamente nenhum.

Mas há outro problema: foi-nos vendido o equilíbrio das contas públicas e agora vimos que não houve. Resta saber o que vai acontecer em 2015. O défice do primeiro semestre do ano foi de 4,7%, o que significa que para chegar aos 2,7% da meta do governo no segundo semestre o défice tinha de ser de 0,7%, o que nunca aconteceu. As contas vão continuar muito erradas em 2015”