Constança Cunha e Sá afirmou que todo o Governo de Passos Coelho parece ter sido um mito urbano, comentando assim as declarações do primeiro-ministro que, esta segunda-feira, em Coimbra, disse que o incentivo à emigração foi “um mito urbano”. Palavras que a comentadora da TVI24 consideram que ultrapassam “os limites à tolerância”.

“Começo a achar que todo o Governo de Passos Coelho foi um mito urbano. Temos um ministro que espalhou a instabilidade por trabalhadores, pensionistas, funcionários públicos. Mas agora dizer que o incentivo à emigração é um mito urbano ultrapassa os limites à tolerância.”


A comentadora da TVI24 recordou que Passos não foi um único governante a fazer incentivos à emigração, lembrando as palavras do secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Alexandre Mestre, e ainda do ministro-adjunto dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, sobre este assunto.

“É este passado todo que nós vimos. O PSD e o CDS estão a tentar fazer um enorme apagão, omitindo tudo o que se passou nestes 4 anos.”


Para Constança Cunha e Sá, trata-se de achar que as pessoas não têm memória.

“Acham que as pessoas não têm memoria. Julga que consegue apagar tudo o que fez no Governo em nome de uma pretensa estabilidade e de uma pretensa confiança que se acha em condições de oferecer, mas que não vejo como.”


O caso Sócrates foi outro dos temas abordados, no dia em que se soube que o ex-primeiro-ministro recusou a prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

“Isto vai pressionar o sistema judicial. José Sócrates vai tentar por em causa o sistema judicial com esta decisão."


Constança sublinhou que a opinião dos especialistas é a de que o juiz Carlos Alexandre mantenha o ex-primeiro-ministro na cadeia de Évora, o que torna a decisão de Sócrates uma forma de ataque e auto-vitimização.

"Sócrates trocou a prisão em casa para manter-se em Évora e isso parece uma estratégia de ataque e também de auto-vitimização."