Constança Cunha e Sá considera que as palavras do Presidente da República, que esta quarta-feira se voltou a pronunciar sobre a Grécia, revelam uma «insistência provinciana» na ideia de «Portugal credor», que emprestou e deu muitos milhões à Grécia. Na TVI24, a comentadora disse que as declarações de Cavaco Silva não passaram de uma tentativa falhada de «remendar a declaração desastrada» que fez a semana passada.

«Não remendou coíssima nenhuma porque, no fundo, o que Cavaco vem dizer é que vê uma evolução positiva no Governo grego para depois, umas frases à frente, dizer que o Governo grego não pode fazer o que quiser», afirmou.


Para a comentadora, exigia-se ao Presidente da República um pouco mais do que uma «colagem» ao discurso do Governo. Constança Cunha e Sá considerou que Cavaco Silva devia ter revelado uma «ideia mínima que fosse» sobre o projeto europeu.

«Não há em nenhuma das declarações dele uma ideia sobre a Europa. Parece um contabilista a falar dos milhões que nós demos, dos milhões que os gregos receberam dos países que não podem fazer o que querem. Ou seja, chegamos à conclusão que os países da Zona Euro podem votar, mas não podem fazer escolhas», rematou.


Constança Cunha e Sá criticou assim a visão do Presidente da República de que os países da Zona Euro votam, mas depois têm que levar em linha de conta com as chamadas «regras» europeias, «que não se sabe muito bem por quem é que foram votadas, mas que implicam um programa de austeridade».