Constança Cunha e Sá analisou os resultados das eleições primárias do Partido Socialista, que elegeram António Costa como candidato a primeiro-ministro nas próximas legislativas, e considera que o Governo não terá ficado satisfeito com a vitória do presidente da Câmara de Lisboa.

A comentadora da TVI24 afirma que a «maioria [parlamentar] preferia António José Seguro» como líder da oposição, que sempre foi uma espécie de «seguro de vida» para Pedro Passos Coelho.

«A maioria [parlamentar] preferia António José Seguro, que foi sempre um seguro de vida para Passos Coelho. É evidente que a maioria, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, tinha o coração com António José Seguro, [porque] António Costa é um adversário muito mais perigoso, e não há ninguém com o mínimo de bom senso ou com o mínimo de isenção, que não veja isso».

Sobre a vitória «expressiva» de António Costa sobre o seu adversário, Cunha e Sá atribui parte da culpa à «estratégia» usada por António José Seguro, que ao passar por ataques pessoais e questões de lealdade acabou por reforçar Costa.

«António Costa tem uma vitória estrondosa sobre António José Seguro, que mostra que a estratégia seguida por este último, que tanta gente considerava um animal feroz, uma mistura entre "Calimero" e animal feroz, não funcionou. As pessoas não aceitaram essa campanha de vitimização, de ataque pessoal, de deslealdade».

Conseguida a vitória sobre António José Seguro, Constança Cunha e Sá considera que agora é altura de António Costa ter de provar que não só é o melhor homem para estar à frente do Partido Socialista, mas também o melhor para estar à frente do país.

«[António Costa] conseguiu uma coisa, conseguiu ultrapassar este percalço sem ter sido obrigado a apresentar nada de muito concreto e consegue ficar dono do seu calendário. [Mas] uma coisa é convencer o Partido Socialista que António José Seguro não serve para liderar, outra coisa é convencer o país de que António Costa de facto é o melhor primeiro-ministro para Portugal», disse a comentadora.