Porto. Adoro o Porto. Da Ribeira até à Foz, as ruelas e calçadas, a neblina que é luz bela e sombria, como canta o Rui com a letra do Tê. Houve um tempo em que Campanhã passou a ser uma espécie de morada residente, tantas as vezes que o comboio me levava à invicta. Porto Sentido, Aliados, Batalha, São Bento.

Há dez anos, que ainda faz mais sentido com a Casa da Música, uma obra assinalável que trouxe a verdadeira cultura à cidade. Foi um acaso ter vivido os primeiros tempos da «Casa». Sou fã do Pedro Abrunhosa e sabia que ele ia dar um concerto especial na sua cidade e logo na inauguração da «Casa» que ele abraçou numa defesa constante a seguir ao Porto, Capital Europeia da Cultura. Lembro bem o que diziam as vozes do povo: «e agora o que acontece àquele 'mamarracho'? Quantos milhões ainda faltam escorregar? Está bom de ver que vai ser um shopping!». Naquela noite de 20 de Abril de 2005, cantou-se vitória, como se de uma revolução se tratasse e o timoneiro Pedro cantou como nunca. Foi o primeiro concerto que vi na Casa da Música. Até hoje. Mas ficou-me marcado. Marcada. A Casa. Em 2007, vivi um mês na Tenente Valadim e trabalhei no Rádio Clube do Porto. Lembro-me que ao final do dia, era obrigatório subir a Boavista, só para ver a Casa. Entrar, respirar, sair, no dia seguinte, repetir. Como ir a Paris e nunca nos cansarmos de ver a Torre Eiffel. Era assim que me sentia. E o que sentem as gentes do Porto é que têm, há dez anos, o mesmo acesso à cultura que durante muito tempo só tinha essa «privilegiada» chamada Lisboa.

Há dez anos, o Porto mudou. Daqui a dez, estará ainda melhor. A Casa é o abrigo do Porto. E se perguntarem ao Pedro, o que ele pensa da Casa da Música, ele responde com aquele tema incrível que cantou naquela noite, «Deixas em mim, tanto de ti, como um barco que abraça o porto...»