Fernando Medina acredita que o Presidente da República vai indigitar António Costa como primeiro-ministro, porque "não tem nenhuma alternativa". O comentador da TVI e TVI24 disse, esta terça-feira, na rubrica "Cara, Conto, Caso" que "apesar da contrariedade que Cavaco Silva já demonstrou ter com a solução que vai ser apresentada", no final, "o Presidente da República acabará por indigitar António Costa como primeiro-ministro".

"Fá-lo-à, provavelmente, de forma contrariada. Poderá até fazê-lo expressando um conjunto de condições, de requisitos, de memória futura que deixará na indigitação do primeiro-ministro, mas acho que acabará por indigitar António Costa como primeiro-ministro".


Considerando António Costa como a Cara da semana, Fernando Medina lembrou que, caso venha a ser indigitado, António Costa "terá vários desafios pela frente".

"O primeiro será o da composição do governo. Terá de apresentar um governo sólido, equilibrado, moderado e um governo que consiga compatibilizar naturalmente a experiência política com renovação.


Para Medina, esse "governo equilibrado" terá de ser capaz de "traduzir tranquilidade" aos portugueses do "ponto de vista da sua moderação e da sua capacidade de levar para a frente o programa de governo". Os desafios que se seguirão serão ainda a "apresentação na Assembleia da República e no Parlamento" do programa de Governo, "porque é daí que os portugueses verão a natureza da solução apresentada"; a elaboração do Orçamento de Estado, "que vai ser muito tarde, com sinais preocupantes"; e "a aprendizagem sobre esta solução política".

"É uma solução política que corresponde a um apoio sólido tendo em vista uma legislatura, mas todos os partidos vão ter de se habituar aos seus novos papéis. Vai ser algo muito interessante de ver".


De acordo com o comentador da TVI e da TVI24, caso António Costa seja "bem sucedido" nestes desafios, "entrará em 2016 numa posição forte e sólida relativamente ao passo de enfrentar a opinião do novo Presidente da República em abril".

No entanto, não será apenas o novo Presidente da República que, segundo Medina, António Costa terá de enfrentar, uma vez que para o comentador "a direita deixou muito claro que estão a cerrar fileiras sobre o argumento de ilegitimidade política desta solução com o objetivo imediato de tentar condicionar Cavaco Silva".

"Mas um segundo objetivo já joga num médio prazo, que é tentar fragilizar a solução governativa de António Costa, do PS e da esquerda, tendo em conta provocar eleições o mais cedo possível, condicionando o Presidente da República. Se António Costa foi bem sucedido, a estratégia da direita, em abril, terá os dias contados.


Para conta da semana, Fernando Medina escolheu os 2,74% de juros de dívida portuguesa, "para frisar um aspeto fundamental" de que estes "não estão a ser condicionados pela evolução da situação política portuguesa".

"Por duas razões de fundo: em primeiro lugar, porque a variável determinante é a política do Banco Central Europeu (...) e em segundo lugar, que não há nenhuma  percepção anormal de risco dos mercados face a Portugal.