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Opinião: «Os perigos da tensão na península da Coreia»

Bernardo Pires de Lima revela as três grandes questões que se levantam na actualidade política internacional, com o necessário envolvimento dos Estados Unidos, China e Japão

Por: Redacção    |   2010-05-25 23:31

A renovada tensão na península da Coreia revela três grandes questões da actualidade política internacional.

Em primeiro lugar, que as alianças continuam a contar para as grandes potências. Os EUA declararam total apoio a Seul e intenções de iniciar exercícios navais conjuntos já no mês de Junho. Além disso, o triângulo Washington-Seul-Tóquio foi suficientemente expedito no repúdio à acção norte-coreana, não deixando margem para dúvidas a quem tem a grande responsabilidade de resolver o problema, ao mesmo tempo que mostra a saúde da histórica aliança norte-americana no Pacífico.

Aqui entramos na segunda questão. A China comporta-se como uma grande potência que é ao mesmo tempo parte do problema e parte da solução. Por um lado, é quem concede espaço às manobras de Pyongyang ¿ nucleares e convencionais. Por outro, não concede ir além das declarações de circunstância condenatórias com medo do colapso do regime. A consequência seria um êxodo de refugiados para as suas fronteiras e a obrigação de assumir as verdadeiras responsabilidades internacionais com a emergência do seu estatuto. Este é aliás, um comportamento que assistiremos mais vezes.

Esta crise revela ainda um terceiro dado: o constante recurso ao Conselho de Segurança para aprovar regimes de sanções, sendo que estas podem sempre ser alvo de iniciativas unilaterais dos Estados, como aliás já o fizeram a Coreia do Sul (suspendendo o comércio, investimentos e circulação com a Coreia do Norte) ou os EUA em relação ao Irão. Ora, sabendo antecipadamente que alguns vetos são garantidos, as sanções perdem alcance ainda mesmo antes de serem negociadas. Para quem as procura, é uma forma de colocar pressão e encontrar culpados, conseguindo criar contra estes uma animosidade internacional. Para quem as nega, é apenas mais uma forma de dizer por outras palavras que as grandes decisões da segurança internacional não se resolvem naquela sala, mas à volta de rondas bilaterais entre grandes potências com capacidade de influência decisiva. É a vida.

Em complemento, leia o artigo académico realizado por Bernardo Pires de Lima e Vasco Rato em 2008 sobre a Nuclearização da Coreia do Norte

A Nuclearização da Coreia do Norte: da Sustentabilidade à Ameaçada Proliferação

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EM BAIXO: Bernardo Pires de Lima
Bernardo Pires de Lima

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