Manuela Ferreira Leite disse, esta quinta-feira na 21.ª Hora, da TVI24, que a União Europeia é a grande derrotada com a aclamação de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas, já que tentou um processo “pouco legítimo”.

A comentadora da TVI24 referia-se à entrada da búlgara Kristalina Georgieva na corrida, na semana passada.

Para a ex-ministra das Finanças, o processo acabou por conduzir a que a decisão fosse “pelo mérito”, o que beneficiou Guterres.

Ferreira Leite falou ainda sobre a discussão do Orçamento de Estado para 2017. A comentadora considera que o PSD tem de apresentar propostas e critica a posição de Pedro Passos Coelho ao considerar que o Orçamento é responsabilidade do Governo.

A oposição não pode deixar de dizer: “A vossa política é esta, a minha é outra” porque a última coisa que qualquer português quer ouvir é, se houvesse uma alteração de poder, a política era rigorosamente a mesma”, afirmou. “Eu acho que o líder da oposição, para tranquilizar as pessoas e para reganhar o seu eleitorado, não pode deixar de dizer o que é que fazia de diferente.”

Outro dos assuntos que marcaram o comentário semanal desta quinta-feira a aprovação de um regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social, podendo os contribuintes ficar isentos de juros se pagarem toda a dívida ou beneficiar de reduções se optarem pelo pagamento em prestações. O Governo veio, entretanto, negar que se trate de um “perdão fiscal”, sustentando que o objetivo do regime especial "não é o encaixe financeiro, mas preparar as empresas para se recapitalizarem a partir de janeiro de 2017".

Manuela Ferreira Leite diz que o novo regime pode ser um bom contributo para o crescimento económico e recorda os tempos em que foi Ministra das Finanças e tomou uma medida semelhante.

É evidente que este Governo quando toma essa medida é para obter receita”, sustentou. “Mas o Governo anterior, a certa altura, também tomou uma medida dessa natureza.”

Sobre o comunicado emitido ao início da noite pelo Governo, recusando a ideia de “perdão fiscal”, a comentadora adiantou que “ninguém lhe quer chamar perdão fiscal”.

Não é bem um perdão fiscal na medida em que não se perdoa o pagamento do imposto. Aquilo que se tenta aliviar é dar uma forma para que as empresas e as famílias consigam, de alguma forma, aliviar os seus balanços e as suas situações.”