Para o comentador da TVI, António Costa, é difícil perceber as decisões tomadas por Alexis Tsipras, nas últimas semanas de negociações entre Atenas e os credores, com vista a um acordo para evitar a saída do país da zona euro.

“É difícil perceber este volte-face tendo em conta que se analisa o que se sabe da proposta grega, uma proposta que vai mais ao encontro do que eram as exigências das instituições. E perguntamo-nos afinal porque é que (Tsipras) interrompeu as negociações, porque é que suspendeu as negociações de há duas semanas para marcar um referendo? Depois volta com uma proposta com um enquadramento que, infelizmente, para os gregos ainda é mais difícil”, disse o comentador em entrevista à TVI24.

"Isto leva-me a uma constatação: hoje a Grécia já não está a negociar apenas a conclusão de um programa de ajustamento que estava em vigor até final de junho. Na verdade, Tsipras apresenta este plano, que é mais duro também por uma razão, porque está a pedir, pelo menos, mais 50 mil milhões de euros e um terceiro resgate, coisa que Tsipras dizia que não queria e até dispensava, em tom agressivo”.


Para António Costa, o povo grego foi usado no referendo do passado dia 5 de julho apenas do ponto de vista político, por parte do governo helénico.

“Na verdade, Tsipras disse ‘Não’ aos gregos que votaram ‘não’ e é uma ironia muito triste e trágica. E é a constatação de que foram basicamente utilizados do ponto de vista político por parte do governo grego para chegar, digamos, a ter um conforto não dos gregos que votaram ‘não’mas numa situação de precipício da parte da maioria dos partidos na Grécia para apoiarem um resgate de última hora para evitar o caos num país”.