O empresário e presidente da Frezit, José Manuel Fernandes, considera que o “Estado tem a obrigação de ser um facilitador” no que toca ao setor da economia e das exportações, mas que os políticos portugueses continuam a “estorvar” e a criar dificuldades. O empresário exemplificou esta criação de obstáculos com a interligação entre a ciência e a economia, sublinhando que os investigadores só são valorizados quando produzem papers e não quando trabalham diretamente com as empresas.

“O Estado tem competências e a obrigação de ser um facilitador. Mas Portugal ainda continua a ter os políticos a estorvar nestas áreas de competência.”


O setor da economia e das exportações foi o tema em debate no programa “A Caminho das Legislativas”, esta quinta-feira, na TVI24. João Miranda, presidente da Frutlac, é da opinião de que os empresários não podem estar à espera dos políticos.

“Quando olhamos para aquilo que são os nosso políticos, acho que não podemos esperar muito deles. Os ciclos de Governo são curtos e os políticos não conseguem ser os profissionais que dizem aos empresários para onde devem ir.”


O empresário acrescentou que o trabalho da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) tem melhorado, mas que ainda está longe do nível de apoio que existe noutros países como Espanha, França ou Chile.

“A AICEP deve continuar a melhorar. Está muito longe daquilo que se pode comparar com Espanha, França ou Chile. Naquilo que é  o intelligence do mercado devia olhar para a nossa oferta e ver onde esta casa com a procura mundial. A AICEP tem muita informação, mas pouco conhecimento.”


O sucesso no setor passa, para o presidente da Salsa, Filipe Vila Nova, pela capacidade dos líderes e dos trabalhadores em ultrapassar as barreiras culturais.

"Temos de ter consciência da nossa diferenciação em quanto produto e ter líderes e pessoas que visem vencer e desafiar a nossa cultura. Temos que olhar para nós e romper o paradigma, fazer a diferença enquanto líderes, empresários e pessoas."


Manuel José Ferandes não tem dúvidas: o futuro da economia nacional passa pela internacionalização.
 

"Não temos outra hipótese. Já na Idade Média os nossos antepassados chegaram ao Algarve e o salto foi ir em frente. Hoje não temos outra hipótese. O programa de ajustamento que o Governo desenvolveu, e teve de desenvolver, levou a que muitas empresas que estavam circunscritas ao mercado nacional ficassem sem trabalho e cheias de oportunidades no exterior."