Manuela Ferreira Leite defendeu, esta quinta-feira, na TVI24, que as declarações de vários dirigentes socialistas, entre as quais as do primeiro-ministro António Costa, sobre os Governos de José Sócrates revelam um Partido Socialista que está à procura de uma desresponsabilização política face ao passado.

Todos os episódios que houve durante a semana, e de que muito se falou são uma tentativa do Partido Socialista se desresponsabilizar desse período negro do nosso país e que foi o Governo socialista com maioria absoluta. Sobre esse ponto é que, efetivamente, o Partido Socialista tem responsabilidade política sobre tudo o que se passou nesse período”, afirmou.

No espaço semanal de comentário na “21ª Hora”, a antiga ministra das Finanças recordou que o resultado do Governo socialista “foi a bancarrota” e defendeu que “a culpa” não pode ser atribuída apenas ao então primeiro-ministro, mas sim a uma “máquina” socialista que protegeu e abafava as decisões do Governo de José Sócrates.

Sob esse aspeto não há apenas um responsável. Não foi só o primeiro-ministro que conduziu o país e não foi só o primeiro-ministro que tomou decisões que efetivamente arruinaram o país, que o levaram à bancarrota. Foi ele e foi uma máquina poderosa, solidária, que levaram a que se tomassem determinados tipos de medidas e que se montasse uma máquina que conduziu a essa possibilidade”, defendeu.

A antiga líder do PSD revelou que “genuinamente” nunca lhe passou pela cabeça, na crítica que na altura fazia à governação do país, que houvesse qualquer tipo de ilegalidade, favores ou corrupção.

Nunca me atravessou o espírito. Achava que era incompetência, irresponsabilidade, eleitoralismo, uma megalomania absolutamente doentia. Achava que era esse tipo de coisas. Mas, sobre esse tipo de coisas, havia uma máquina que abafava. Não me lembro de, em campanha eleitoral do ataque que sempre fiz, de isso ter passado na comunicação social. (…) Passava apenas a ideia de que havia uma certa asfixia democrática, na medida em que as ideias que as pessoas defendiam não eram completamente transmitidas”, recordou.

Manuela Ferreira Leite realçou que “a corrupção não se combate, evita-se” e reiterou que a verdade tentou ser escamoteada e abafada também pela comunicação social.

“E essa máquina toda que foi montada não é obra de uma pessoa, é obra de um partido”, rematou.