Paredes de Coura, paredes de rock.

Seja indie, psicadélico, “post”, o subgénero não é importante. Hoje foi, definitivamente, um dia de rock no Vodafone Paredes de Coura: pelo palco principal e secundário passaram nove bandas que fazem das guitarras o seu instrumento principal. Ouviram-se cordas de aço, hoje, na Praia Fluvial do Taboão, sem distrações, nem interrupções.

Cage The Elephant, The Vaccines, King Gizzard & The Lizard Wizard, Crocodiles e Kevin Morby, no palco Vodafone, First Breath After Coma, Sean Riley & The Slowriders, Psychic Ills e Jacco Gardner, no palco Vodafone.FM. Nove concertos que não parecem ter desiludido as espectativas dos festivaleiros de Paredes de Coura e que, certamente, contrariaram os céticos que achavam que o único ponto alto do evento seria o concerto de LCD Soundsystem.

Começamos pelos Cage The Elephant – a última atuação da noite - que souberam, desde logo, começar bem o concerto. Antes de cantarem qualquer tema, a banda norte-americana gritou para o público.

Este é o nosso festival preferido no mundo inteiro”.

 

Frase feita, ou não, foi uma inteligente forma de despertar novamente o público, que ainda devia estar atordoado após o espetáculo dos The Vaccines. A audiência respondeu bem e retribuiu o carinho demonstrado pelo vocalista logo ao início: ouviram-se aplausos e assobios durante todo o concerto, de uma forma só comparável com os vistos ontem no concerto de LCD Soundsystem. Além disso, a audiência mostrou que conhecia praticamente todos os temas da banda, mostrando entusiasmo logo assim que se ouviam os primeiros acordes de guitarra, que iniciam a maioria das músicas. Foi assim em “Spiderhead”, “Too Late to Say Goodbye” e “Cigarette Daydreams”, apenas para citar alguns.

 

Do lado da banda, que ainda há dois anos tinha estado neste festival, o entusiasmo era igualmente visível. Logo durante o segundo tema, o guitarrista, Brad Shultz, desceu até junto das grades para tocar junto do público, que o abraçou quase imediatamente. Já o vocalista, Matthew Shultz não parou um minuto sobre o palco, interpretando os temas entre corridas e saltos, numa performance que fez lembrar o estilo de Mick Jagger, dos Rolling Stones.

Um bom concerto que conseguiu igualar, ao nível da qualidade, o grande espetáculo que deram os The Vaccines. A banda britânica de Indie Rock veio apresentar “English Graffiti”, o último trabalho de originais, lançado dois anos depois da sua última passagem por Paredes de Coura. Atuação à qual fizeram referência, deixando elogios ao festival, tal como fizeram os Cage The Elephant.

Estivemos aqui há três anos e foi dos nossos concertos preferidos do verão”, afirmou Justin Hayward-Young, vocalista da banda.

Foi esta, aliás, a intervenção mais longa da banda durante todo o concerto. Além do ocasional “obrigado”, dito em português, os The Vaccines não pararam de tocar. Desde “Handsome” – a primeira -, passando por temas como “Ghost Town”, “Minimal Affection”, “Bad Mood”, “Melody Calling”, até “Norgaard” – a última da noite – os britânicos conseguiram colocar a audiência aos saltos e a fazer crowdsurfing como nenhuma outra banda tinha conseguido até então neste terceiro dia. Ainda que os King Gizzard & The Lizard Wizard tenham estado bem perto.

 

A banda australiana de rock psicadélico foi aquela que conseguiu fixar, em frente ao palco, toda a enorme moldura humana que se via no final em Cage The Elephant. As guitarras pesadas do grupo atraíram os festivaleiros que ainda andavam soltos pelo anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão e prenderam-nos, mas não ao chão, como era visível pelos saltos coletivos em frente ao palco Vodafone.

 

Mais calmos – o primeiro bem mais que o segundo – foram os concertos de Kevin Morby e Crocodiles. O músico e a banda norte-americanos tocaram perante um anfiteatro que ainda estava a encher-se aos poucos, e perante muitos festivaleiros que ainda preferiam assistir aos concertos sentados. Dois bons espetáculos para o fim de tarde e que serviram de aquecimento para o que aí vinha.

Pelo palco secundário passaram as duas bandas portuguesas do dia, os First Breath After Coma, que inauguraram os concertos do terceiro dia e vieram apresentar “Drifter”, o trabalho de originais lançado este ano, e os Sean Riley & The Slowriders. Destes últimos vale destacar os aplausos ouvidos até bem longe do palco Vodafone.FM no tema “Dili”, que mostrou – aos que tinham dúvidas - que nem só as bandas internacionais têm temas capazes de agradar a um público de maiores dimensões.

 

No mesmo palco ainda passaram Psychic Ills, o duo norte-americano que trouxe a Paredes de Coura “Inner Journey Out”, lançado este ano, e o holandês Jacco Gardner, que veio apresentar" Hypnophobia", de 2015.

Já em formato “After Hours”, atuaram ainda no Paredes de Coura o músico português Moullinex – que durante a tarde esteve à conversa com a TVI24 – e, novamente, os The Vaccines, desta vez para um DJ Set, terminando um dia difícil de superar em termos de qualidade.

Este sábado, último dia do festival minhoto, ainda há outros grandes nomes para ver: pelo palco principal vão passar os Chvrches, Portugal. The Man, The Tallest Man on Earth, Capitão Fausto e The Last Internationale. Pode acompanhar tudo o que se passa no Vodafone Paredes de Coura no nosso AO MINUTO, aqui.