Simone de Oliveira admite que a condecoração que lhe deu recentemente o Presidente da República, pelo elevado contributo para o património cultural do país, lhe fez bem ao ego. Mas, em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, sempre vai dizendo que “as condecorações são-me agradáveis, mas não me aumentam nada na minha reforma”.
 

“Eu acho sempre que para qualquer um de nós que é mais exposto ser mimado em vida. É claro que nunca estamos à espera. E eu só não telefonei outra vez a perguntar se era verdade porque seria um pouco pateta da minha parte.”

 
Numa conversa positiva e emotiva com Judite de Sousa, a cantora e atriz que comemora 58 anos de uma carreira repleta de sucessos e aplausos, mas nem sempre fácil, recusou a ideia de desistência.
 

“Eu não sou capaz de estar mal muito tempo. Fico zangada comigo. Não sei o que isso é.”

 

“Mesmo nas situações mais dramáticas não deixaria cair os pontos. Eu sei que não vou por aí. Eu trabalhei no dia em que morreu a minha mãe. Foi a maior e a primeira grande tragédia da minha vida. Voltei a cantar exatamente porque morreu a minha mãe. A única coisa que me leva ao palco do Maria Matos é isso, porque ela não me voltou a ouvir cantar.”

 
Não quer dar alento à solidão, mas sublinha que é fundamental aprender a viver com ela. Já ficou sem voz, já ultrapassou dois cancros e viu partir, há 20 anos, o grande amor da sua vida. Lamenta apenas que, nos momentos mais difíceis, tantos não soubessem como se aproximar dela.
 

“Quando eu perdi a voz, logo a seguir à Desfolhada, não houve uma pessoa que me fizesse um telefonema. Não era para me convidarem para jantar, era para dizer olá! (…) Não houve uma pessoa que me desse um telefonema.”

 
“Não sei se se afastam por vergonha, não sei se se afastam porque não sabem como hão-de chegar a nós. Às vezes é muito difícil os sentimentos virem ao de cima no momento certo e na altura certa.”
 
Ainda assim, apesar de todas as agruras, Simone admite que “se quiser ser honesta”, não tem “muitas razões de queixa”. “A vida tratou-me bem, embora com muitas coisas muito más”, diz.
 
Agora, voltou à estrada e tem percorrido o país a cantar em teatros e pequenos auditórios, “qualquer lugar, desde que tenha um piano”. “Nos últimos dois anos, descobriram que eu canto. Andei a fazer a estrada”, conta.
 
Nos concertos, não faltam Sol de Inverno, Desfolhada e as conversas sobre teatro.