Se perguntarmos a qualquer pessoa que esteve no parque da Bela Vista, na tarde do terceiro dia do Rock in Rio, como descreve esta sexta-feira de concertos, a palavra é apenas uma: chuva.

Em pleno dia de São Pedro, a chuva não parou de cair na cidade do Rock durante a tarde, principalmente no concerto dos Xutos & Pontapés

Mas, apesar da chuva e da lama que foi ficando pelo parque, os festivaleiros mantiveram-se firmes em frente aos palcos e as águas cessaram pouco antes de The Killers, os cabeças de cartaz desta sexta-feira, atuarem.

Começou morno, mas foi sempre a subir

The Killers eram o grande chamariz do terceiro dia de festival e demoraram a aquecer. O espetáculo começa com 'The Man', do álbum "Wonderful Wonderful" e a nova vertente da banda custa a cativar o público. 

Tudo não passa, no entanto, de um pequeno deslize. Rapidamente a banda engrena e "Somebody Told Me" e "Spaceman" puxam pelos festivaleiros.

Dança-se, salta-se e até guitarra imaginária se toca pela cidade do rock. Definitivamente, Brandon Flowers e companhia já conquistaram quem vieram para conquistar.

Entre pulos e saltos, volta a haver lágrimas no público. Não importa que seja um concerto de rock. As emoções não se sentem apenas na melancolia.

O longo concerto (com mais de uma hora e meia) tem o seu ponto alto na reta final, com os velhos hits a fazerem as delícias dos fãs. E, como que um prenúncio do que aí vem, há fogo de artifício no palco, uma chuva dele enquanto se ouve “When You Were Young”.

A seguir, todas as dores de pés foram esquecidas e dançou-se, dançou-se muito no encore - que teve The Calling, Human e Mr Brightside - que prendeu o público até ao último segundo. 

Um espetáculo de eletrónica com revenge do outro lado

Chemical Brothers ficaram responsáveis por fechar o dia. O espetáculo de música eletrónica fez apagar as luzes do festival e na frente do Palco Mundo apenas se viam luzes psicadélicas e um espetáculo de leds a dançar.

Centenas de pessoas acabariam por desistir pouco depois da atuação começar, abandonando o festival ou dispersando para o Music Valley onde, desde as 18:00, acontecia a festa dos "Revenge of the 90's". 

Os hits da dupla britânica demoraram a aparecer. "Hey Boy, Hey Girl" seria apenas a 15.ª música de 29 a ser tocada e a indignação fez-se ouvir.

"O espetáculo está um pouco aborrecido. Ainda nem se ouviram as mais conhecidas deles", reclamava uma fã enquanto abandonava o recinto antes mesmo de "Push the Button" soar.

James já são da família

Chovia. Chovia mesmo muito. Mas James estavam em palco e os festivaleiros não mostraram nunca intenções de se afastar do Palco Mundo.

A banda é apaixonada por Portugal e o vocalista não se cansa de parar no centro do palco para olhar para quem ali está. Atrás dele, Andy Diagram toca com uns óculos com as cores de Portugal e uma camisola da Seleção Portuguesa vestida. Já são da casa.

“Esta música é para toda a nossa família aqui em Portugal”, diz Tim Booth pouco antes de se lançar para os braços dos milhares de fãs que ali estavam e que não o deixaram cair. 

O concerto durou uma hora, mas podia ter durado a tarde toda. E nem os problemas técnicos que se foram sentindo - Tim Booth recomeçou mesmo "Laid" porque não conseguia ouvir a banda - fizeram desanimar quem os ouvia debaixo de chuva, tanto que o vocalista voltou a ser carregado em braços pelos fãs.

A banda sai de palco poucos minutos depois das 19:00. Despede-se em português pela voz do baterista, Dave Baynton-Power, que chama o "filho muito magro" Tim Booth a voltar ao palco para darem lugar aos Xutos & Pontapés.

O oitavo concerto da banda portuguesa no festival ficou marcado pela emoção da homenagem a Zé Pedro que, graças aos vídeos recuperados pelos Xutos, voltou a subir ao palco Mundo sob a chuva de aplausos que arrepiou o parque da Bela Vista.

O Rock in Rio regressa este sábado com o Katy Perry como cabeça de cartaz do último dia. Sobem ainda ao palco principal Jessie J, Ivete Sangalo e Hailee Steinfeld.