Só começou há quatro meses, mas 2016 já está a ser um ano negro para o mundo das artes.

David Bowie foi o primeiro a partir, em Janeiro, apenas uns dias depois de lançar o álbum “Blackstar”. No mesmo mês, morreu Alan Rickman, ator que deu vida ao professor Snape na saga Harry Potter. O músico Maurice White, a escritora Harper Lee e o produtor dos Beatles, George Martin, são outros dos nomes de personalidades que faleceram este ano.

Esta quinta-feira, foi a vez de Prince. As causas da morte ainda são desconhecidas.

"Já chega, 2016", são algumas das expressões que mais se lêem pelo Twitter

Mas será verdade que estão a morrer mais celebridades do que o normal? De acordo com o editor de obituários da BBC, Nick Serpell, a resposta é sim e a justificação é simples.

As razões

Entre 1946 e 1964, houve um aumento massivo da população. O que significa que esta geração, agora com 50, 60 e 70 anos, são uma grande fatia da população, maior do que era há quatro ou cinco décadas. Em resultado, há mais famosos com essas idades do que havia anteriormente.

Os famosos na década de 60 estão agora a entrar nos seus setentas e a começar a morrer”, explicou Nick Serpell, que acrescenta que, há uma ou duas gerações “os únicos famosos eram os do cinema, porque não havia televisão. Se ninguém estivesse na televisão, não haveriam famosos”.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, as taxas de mortalidade estão, no geral, mais altas. Mas, além disso, falamos de uma geração muito ligada às drogas e ao chamado “estilo de vida rock n’ roll”.

Ainda segundo o jornal, os meios de comunicação social também “amplificam” estes óbitos. Hoje, se um artista morre, as reações multiplicam-se nas redes sociais e as notícias propagam-se. É por isso que estamos mais alerta para as mortes no meio artístico.

Vai esta situação continuar?

A má notícia, diz Nick Serpell, é que sim.

Nos próximos dez anos, esta geração vai se aproximar dos oitenta anos”, conta. “E isto sem contar com as mortes surpresa, quando as pessoas morrem e não deviam”.