Os Rammstein regressaram ao Pavilhão Atlântico esta terça-feira e, apesar de não trazerem novidades, conseguiram encher a sala de fãs, tal como tinha acontecido há quase quatro anos.

Foi em registo best of que a banda alemã passou mais uma vez por Lisboa, no segundo concerto da nova digressão europeia de promoção a «Made in Germany 1995-2011», a compilação de êxitos lançada há dois anos. Sem novas canções para mostrar, o espetáculo seguiu a receita de sucesso habitual: riffs demolidores, refrães gritados como palavras de ordem, e muito muito fogo.

É que um concerto dos Rammstein sem efeitos pirotécnicos nem golpes de teatro... não é um concerto dos Rammstein. E a capacidade que Till Lindemann e companhia têm em juntar milhares e milhares de pessoas a cantar e a vibrar ao som de uma língua que lhes é estranha no dia-a-dia deve-se também à forma especial como a banda constrói as suas atuações para além da música.

A batalha de ferro e fogo mais uma vez travada no Pavilhão Atlântico arrancou ao som de «Ich tu dir weh» e com uma cortina de fumo que depressa avançou sobre um público ansioso por voltar a receber aquela que é provavelmente a banda alemã mais famosa em Portugal (a par dos Scorpions, que também já encheram o pavilhão lisboeta).

Till surgiu com um casaco de pelo rosa e cabelo louro platinado (uma das poucas novidades da noite?), pronto para comandar as tropas em palco e na plateia. Não tardou para que o vocalista começasse as suas brincadeiras com o fogo e a veia pirómana do grupo acabou por repetir uma série de cenas já conhecidas dos fãs, como cuspir fogo em «Asche zu Asche» ou incendiar um falso invasor de palco em «Benzin».

Fazendo questão de ir buscar temas a todos os álbuns de estúdio editados, os Rammstein recuperaram «Wollt ihr das Bett in Flammen sehen?» e «Du riechst so gut» a 1995, ou «Sehnsucht» a 1997. Mas dos primórdios da carreira do sexteto alemão fazem também parte êxitos que dificilmente iriam ficar de fora do concerto, como «Asche zu Asche» e «Du hast» («Engel» foi o sacrificado).

«Mein Teil» serviu de banda sonora para mais uma encenação, desta feita na eterna perseguição de Till ao teclista Flake, que surgiu dentro de um panelão. O vocalista acabou por cozinhá-lo de lança chamas em riste, mas a dupla acabaria por regressar a palco logo a seguir para a versão «piano e voz» de «Mein Herz brennt», numa tentativa dos Rammstein mostrarem que não são apenas feitos de distorção e eletrónica.

A sinfonia marcial de «Links 2-3-4» e a energia hipnotizante de «Du hast» mostraram a facilidade com que os Rammstein põem qualquer plateia a entoar cânticos em alemão, num exemplo invulgar de comunhão entre banda e público.

Aquecidos os ânimos, estava na hora do deboche e «Bück dich», que em português se traduz num «dobra-te», fez jus ao título em mais um momento teatral e que voltou a juntar Till e Flake. Sexo simulado do alto de uma plataforma elevada a uns bons metros do palco, com um final molhado sobre os fãs lá em baixo.

Depois da «balada» «Ohne dich» e de uma primeira vénia de despedida, o regresso ao palco dos Rammstein reacendeu o rastilho para mais uma série de explosões (umas mais literais do que outras). «Sonne» e «Ich Will» continuam a ser dos melhores trunfos ao vivo, enquanto que «Pussy», a apatetada canção que há quatro anos causou polémica pelo vídeo sexualmente explícito, caiu definitivamente nas boas graças dos fãs que sabem que, na verdade, os Rammstein não se levam assim tão a sério. Eles querem é festa.

Em modo «sexy time» (citando Borat), o concerto terminou com Till Lindemann em cima de um canhão para o clímax final de espuma branca sobre um público em êxtase. Diversão pura, dirão uns; teatro a mais e música a menos, dirão outros. Mas são assim os Rammstein e dificilmente irão mudar. Em 2013, continuam com uma vasta legião de seguidores (de quase todas as idades) em Portugal.