Os indie rockers Foals estão de regresso ao recinto onde se estrearam em Portugal, em 2011, o festival NOS Alive. O quarto álbum do grupo, lançado no ano passado, "What Went Down", será o grande destaque do concerto agendado para esta quinta-feira, no palco principal.

"What Went Down" é um disco com uma atmosfera mais "dramática", que representa "cada parte da banda", como descreveu Jimmy Smith, guitarrista do grupo de Oxford, com quem estivemos à conversa esta quinta-feira. Neste novo álbum, os britânicos tiveram uma ajuda preciosa: James Ford, produtor de bandas como os Arctic Monkeys ou Florence and the Machine.

À TVI24, Jimmy Smith falou não só sobre este último trabalho, mas também sobre o passado e o futuro da banda. E deixou várias confissões: tem imensa inveja da comida portuguesa e espera mesmo que o Brexit não vá para a frente. 

Lançaram "What Went Down" no ano passado. Como descrevem este álbum e em que difere dos discos anteriores?

"What Went Down" é um álbum mais extremista do que os outros. A dinâmica, a paisagem é mais dramática. As músicas são mais pesadas do que todas as que fizemos até agora, mas, ao mesmo tempo, algumas são também as mais calmas que fizemos. Acho que chegámos perto do que queríamos alcançar: ter um álbum que representa cada parte da banda.

Trabalharam com o produtor James Ford. Isto mudou o processo de criação do álbum? 

Sim, definitivamente, Ele é uma figura poderosa. É musicalmente muito forte e opinativo. É um ótimo músico. Acho que ele foi o primeiro produtor que foi capaz de perceber as canções a partir da nossa perspetiva. Ele também ajudou nas letras. Por isso sim, ele foi uma grande influência.

Já passaram oito anos desde que lançaram o vosso primeiro álbum, "Antidotes", (2008). Muitos dizem que a vossa música é agora mais madura e menos undergound. O que pensam sobre isto? 

Estamos mais velhos. Sim, eramos mais underground na altura. Mas eramos adolescentes e agora estamos nos trinta. É um tempo muito diferente.

O que é que agora vos inspira na composição de canções?

A música inspira-nos. Como Radiohead ou Tame Impala [que também tocam esta quinta-feira no NOS Alive], que são grandas inspirações. E também lugares bonitos como Lisboa.

Estão a gostar de estar em Lisboa?

Sim, estamos aqui há alguns dias. Tem sido fantástico.

Já estão a pensar num próximo álbum? Quais são os vossos planos?

Estamos a pensar [num novo álbum], mas acho que vamos tirar algum tempo para nós primeiro. Vamos estar em digressão até ao Natal e à passagem de ano e depois vamos tirar algum tempo para nós. Não sabemos quanto tempo, mas precisamos de voltar à vida normal, ter novas experiências para podermos escrever sobre elas. Não queremos ser uma daquelas bandas que só escreve sobre estar na estrada o tempo todo.

Vocês são de Oxford. Ainda vivem lá?

Eu vivo na Alemanha, mas acho que o Walter é o único que ainda vive em Oxford.

O Reino Unido votou para sair da União Europeia. Têm receio de como isto pode afetar a indústria musical?

Sim. A Pitchfork fez um artigo sobre como o Brexit vai afetar a indústria musical. Infelizmente, as pessoas que vão ser mais afetadas são as bandas mais novas, as bandas que estiverem a começar, com o seu primeiro álbum. Se o Brexit for para a frente, e espero que não vá, não devia ir para a frente, fazer uma digressão pela Europa vai-se tornar muito mais dispendioso do que é agora e acho que será ainda mais caro para as bandas mais novas. Acho que as editoras vao pensar duas vezes em investir nas digressões. Não sei, é perigoso. Nem sei como será ao nível das vendas de discos ou essas coisas. Sei que as coisas não serão certamente mais fáceis.

Já estiveram em Portugal várias vezes. A estreia foi precisamente neste festival, em 2011. Que memórias têm do público português? 

É ótimo estar de volta. É um público fantástico.

Querem deixar uma mensagem aos fãs portugueses?

É muito bom estar de volta. Adoramos Portugal e adoramos Lisboa. Lisboa é facilmente uma das nossas cidades favoritas do mundo. E temos muita inveja da vossa comida e do vosso tempo. É otimo estar de volta.