Com um novo álbum pouco consensual junto dos fãs, os Muse estiveram este domingo em Lisboa e passaram com distinção no teste no Pavilhão Atlântico. O trio inglês apresentou um espectáculo visual que deixou muitos boquiabertos e música que levou ao rubro as emoções dos milhares que esgotaram a lotação da sala.

Em noite de dilúvio, coube a outro trio, mas este vindo das Escócia, as honras de abertura. Os Biffy Clyro já tinham deixado uma boa imagem de rock com melodia e garra no festival de Paredes de Coura, em 2008, e voltaram agora a confirmar a pujança em palco.

Desta vez, a banda de Glasgow trouxe novos temas como «The Captain» ou «Bubbles», dois dos pontos altos de «Only Revolutions», o quinto disco, lançado no início deste mês.

Entrada grandiosa

Se os Muse falharam na pontualidade britânica, com quase 20 minutos de atraso, compensaram com uma entrada espectacular em palco. Assim que os três arranha-céus de lona desmoronaram, Matt, Dom e Chris surgiram do alto de três plataformas que serviam também de ecrãs gigantes.

«Uprising», faixa de abertura do novo «The Resistance», deu o início natural ao concerto e lançou os primeiros indícios de que o quinto disco de estúdio tem um punhado de canções capazes de sobreviver às exigências de um espectáculo ao vivo. Letras estudadas em casa e coros a acompanhar o sintetizador do quarto elemento (ficou na penumbra) repetiram-se do lado da plateia ao longo da noite.

A primeira grande explosão de energia veio com «New Born», no riff sujo da guitarra de Matt. A incursão pelos primeiros álbuns desta década dos Muse foi sempre bem recebida e serviu, em muitos casos, de contraponto a momentos mais calmos como «Map Of The Problematique» ou «Interlude».

Entre os Queen e as arábias

Após novo tiro certeiro com o eléctrico «Hysteria», chegou a vez do piano de cauda entrar em cena. Matt desbravou caminho por «United States of Eurasia», outro dos novos temas já bem conhecidos do público. Entre coros e riffs a fazer lembrar os Queen, e secções de orquestra dignas de um «Lawrence da Arábia», os Muse transportaram eficazmente a dimensão épica da canção para o palco.

Fotos:



Em novo coro, o público acompanhou o vocalista dos Muse por «Feeling Good», sem se deter nos falsetes - reacção mais homogénea do que ao novo single «Undisclosed Desires», que mais parece ter saído do bolso de Timbaland.

Na melhor sequência de temas do alinhamento, «Starlight» puxou pelas palmas compassadas e pelos refrões cantados por milhares de vozes, «Plug In Baby» voltou a agitar os ânimos com o riff serpenteante da guitarra de Matt Bellamy, e «Time Is Running Out» confirmou mais uma vez o lugar na lista de canções obrigatórias em concertos dos Muse.

Antes do encore ainda houve «Unnatural Selection», que, apesar de ser uma das preferidas dos fãs no novo álbum, não consegue fugir por completo às comparações com os riffs de guitarra de «New Born».

Certo é que ainda restava muita energia em palco e na plateia (bancadas incluídas, claro). «Exogenesis 1 (Overture)» serviu de amostra à sinfonia de três partes que Matt criou em «The Resistance», mas foram «Stockholm Syndrome» e «Knights of Cydonia» que acabaram por fechar a noite em grande ao fim de uma hora e quarenta minutos de espectáculo.

Alinhamento do concerto:

1. Uprising

2. Resistance

3. New Born

4. Map Of The Problematique

5. Supermassive Blackhole

6. MK Ultra

7. Interlude

8. Hysteria

9. United States of Eurasia

10. Feeling Good

11. Guiding Light

12. Jam (Dom e Chris)

13. Undisclosed Desires

14. Starlight

15. Plug In Baby

16. Time Is Running Out

17. Unnatural Selection

Encore

18. Exogenesis: Symphony, Part 1 (Overture)

19. Stockholm Syndrome

20. Knights of Cydonia