Mamoru Samuragochi, conhecido até agora como o «Beethoven japonês», confessou que, afinal, não é o autor das obras que o fazem famoso há quase 20 anos, noticia a BBC News.

O japonês de 50 anos admitiu a fraude através de um comunicado, na quarta-feira, e a reação do verdadeiro autor não se fez esperar. Segundo a BBC, Takashi Niigaki diz que compõe para Samuragochi desde 1996 e que a história de que este é completamente surdo desde os 35 anos de idade é uma invenção destinada a mitificar a sua figura.

«Eu tinha a noção que o senhor Samuragochi estava a enganar o mundo ao publicar as "suas" obras. Porém, acabei por compor música para ele tal como me pedia. Desta forma, eu fui cúmplice dele», afirmou Niigaki em conferência de imprensa.

«Não dei por nenhuns sinais de que ele não conseguia ouvir. De início, ele fez de conta que estava a perder a audição, mas acabou por deixar de o fazer, eventualmente», revelou o «compositor fantasma», que passa agora a ser o autor oficial das principais composições anteriormente atribuídas a Samuragochi.

Mamoru Samuragochi começou por ganhar reconhecimento pelo trabalho nas bandas-sonoras dos videojogos «Resident Evil» e «Onimusha» durante a segunda metade da década de 1990. Em 2003, lançou uma das suas composições mais aclamadas, a «Sinfonia nº1 Hiroshima», em homenagem às vítimas da bomba atómica em 1945. Obras cujo mérito vai agora todo para Takashi Niigaki.

O pedido de desculpas de Samuragochi, que se diz «profundamente desolado por desapontar os fãs», de pouco servirá ao falso «Beethoven japonês». As lojas japonesas deixaram de vender os seus discos e toda a história faz lembrar um outro caso de fraude que abalou o mundo da música no início dos anos 90, quando foi revelado que os Milli Vanilli, vencedores de um Grammy, não sabiam cantar e recorriam ao «playback» em todas as atuações ao vivo.