Há 30 anos, Portugal despedia-se de José Carlos Ary dos Santos.

Figura incontornável da cultura portuguesa e um dos autores mais talentosos, que assinou muitos dos temas que ainda hoje escutamos.

Uma «Rua de Saudade» inteira para recordar. Para sempre, Ary dos Santos.

José Carlos Pereira Ary dos Santos nasceu em Lisboa, em dezembro de 1937. Publicou os primeiros versos, por intermédio da família aos 14 anos, após a morte da mãe, livro que o autor rejeitou mais tarde, apontando a sua estreia literária em 1954, quando fez parte da Antologia do Prémio Almeida Garrett.

Declamador de poesia, Ary dos Santos foi colaborador do teatro de revista, onde estreou alguns dos seus êxitos como «Meu corpo», no Teatro ABC, por Beatriz da Conceição.

Das suas intervenções, ficou famosa a declamação do poema de sua autoria «Poeta castrado», num palco da revista à portuguesa, e também na televisão.

Como declamador, entre outros, participou num projeto discográfico de cantigas medievais portuguesas com a fadista Amália Rodrigues, a escritora Natália Correia e o músico José Fontes Rocha, e gravou um duplo álbum recitando «O Sermão de Santo António aos Peixes», do padre António Vieira, por quem tinha «viva admiração», como afirmou numa entrevista citada pela Lusa.

O poeta morreu na sua casa, na rua da Saudade, em Lisboa, no dia 18 de janeiro de 1984. Vinte anos depois, a República Portuguesa condecorou-o com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.