Não tardou para que, logo após a atuação de Bruno Mars e dos Red Hot Chili Peppers no intervalo do Super Bowl, começassem a chover dúvidas quanto à autenticidade do concerto. Tudo porque em várias imagens vídeo e fotográficas era visível que Flea, dos Red Hot Chili Peppers, não tinha o seu baixo ligado a qualquer amplificador. Afinal tinha sido tudo «playback»?

O músico norte-americano decidiu esclarecer todas as dúvidas e, no site dos Red Hot Chili Peppers, assinou um comunicado em que admite que a banda não tocou os seus instrumentos ao vivo - apenas Anthony Keidis cantou realmente sobre uma faixa previamente gravada.

Flea explicou que, apesar de serem contra o «playback», recusando-se a fazê-lo de forma dissimulada, em regra geral, os Red Hot Chili Peppers entenderam que esta seria a única maneira possível de participarem no concerto do Super Bowl, o evento televisivo mais visto em todo o mundo. Uma oportunidade única e irrecusável.

«Quando fomos convidados pela NFL e pelo Bruno Mars a tocar a nossa canção, "Give It Away", no Super Bowl, foi dito claramente que a voz seria cantada ao vivo, mas que o baixo, a bateria e a guitarra seriam pré-gravados», recordou Flea.

«Eu entendo a posição da NFL, uma vez que eles têm apenas alguns minutos para montar o palco, e há milhões de coisas que podem correr mal e arruinar o som para as pessoas que estão no estádio ou a assistir pela televisão.»

Flea explicou que os Red Hot Chili Peppers sempre foram contra o «playback», e, nos anos 80, chegaram mesmo a ser expulsos do programa televisivo britânico «Top of the Pops» por se recusarem a «fazer de conta» que estavam realmente a tocar ao vivo.

«Levamos a nossa música ao vivo de forma séria, é uma coisa sagrada para nós, e qualquer pessoa que nos tenha visto em concerto (como na noite anterior ao Super Bowl, no Barclays Center) sabe que tocamos com os corações, improvisamos espontaneamente, arriscamos musicalmente, e transpiramos sangue em todos os espetáculos. Andamos há 31 anos na estrada a fazê-lo dessa forma.»

No entanto, o baixista dos Red Hot Chili Peppers afirmou que, depois de muita deliberação dentro da banda, e junto de músicos que admira, o convite era bom de mais para recusar.

«Decidimos que, com o Anthony a cantar ao vivo, poderíamos manter o espírito e a liberdade do que fazemos nessa atuação. (...) Claro que poderíamos [ter ligado os instrumentos], e este seria um não-assunto. Mas achámos que o melhor era não fazermos de conta, pareceu-nos ser a coisa mais autêntica a fazer naquelas circunstâncias», acrescentou.


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