Dez anos depois de se terem separado, os britânicos The Libertines, que se voltaram a reunir este ano, foram o destaque do terceiro dia do festival Alive, que terminou este sábado, no Passeio Marítimo de Algés.

Passavam cerca de 15 minutos da meia-noite quando a banda liderada por Carl Barât e Pete Doherty subiu ao palco, num concerto que durou cerca de uma hora e meia e que encerrou o palco principal do festival. O alinhamento foi marcado pelos dois álbuns editados «Up the Bracket» (2002) e «The Libertines» (2004) e pelo meio houve espaço para uma versão do clássico de Otis Redding «Sitting on the dock of the bay».

Fundados em 1997, o sucesso dos The Libertines foi muitas vezes eclipsado pelos problemas de Pete Doherty com o abuso de drogas e álcool, o que terá causado instabilidade no grupo. Mas a julgar pelo concerto em Oeiras, estes problemas parecem estar ultrapassados.

Os The Libertines não conseguiram, contudo, atrair tantos festivaleiros como os cabeças de cartaz do primeiro (Arctic Monkeys) e segundo (The Black Keys) dias, tendo-se registado uma menor afluência de público.

Antes dos britânicos, passaram pelo palco principal os norte-americanos Foster the People, que foram recebidos efusivamente pelo público. A banda estreou-se em Portugal, depois de ter cancelado a presença no festival Paredes de Coura, em 2011.

Os Foster the People apresentaram o seu segundo álbum, «Supermodel», editado em março, do qual se destaca o primeiro single, «Coming of Age». No entanto, não faltaram os sucessos do disco de estreia, «Torches» (2011), como «Houdini», «Pumped Up Kicks» e «Helena Beat».

No sábado, as atuações no palco principal arrancaram em português, apesar de o nome das bandas poder enganar os mais distraídos.

Pelas 18:00, subiram ao palco os You Can't Win Charlie Brown (YCWCB), que atuaram para cerca de duas mil pessoas.

A banda apresentou temas do novo álbum, «Diffraction/Refraction», editado em janeiro, sem esquecer o disco de estreia «Chromatic». Houve ainda tempo para os portugueses fazerem uma versão de «Heroin» dos Velvet Underground.

Os The Black Mamba começaram a atar pelas 19:20, com mais público, mas muito longe da enchente do primeiro dia.

A banda aproveitou o espetáculo para apresentar ao vivo o primeiro single do novo álbum, que será editado ainda este ano, e que tem como convidada especial Aurea, que subiu ao palco para cantar «Wonder Why».

No final do concerto, quem olhasse para o céu via dois aviões em acrobacias, uma iniciativa do patrocinador principal do festival.

Quando os britânicos Bastille entraram em palco, ao som do genérico da série de televisão dos anos 1990 «Twin Peaks», o número de pessoas em frente ao palco principal já era dez vezes maior.

O grupo conquistou rapidamente os milhares que ali estavam para ouvirem temas do seu álbum de estreia, «Bad Blood», editado no ano passado.

Além de originais como «Pompeii» e «Bad Blood», os Bastille apresentaram ainda versões, como «Scrubs», das norte-americanas TLC, e o sucesso da eurodance dos anos 1990 «Rhythm of the Night», dos italianos Corona.

Apesar da menor afluência de público, houve outros espetáculos noutros palcos com direito a «casa cheia», caso dos portugueses Gin Party Soundsystem, dos The War on Drugs e dos Unknown Mortal Orchestra.

O festival Alive regressa ao Passeio Marítimo de Algés entre nos dias 09, 10 e 11 de julho de 2015.

Ao longo dos três dias de festival, mais de 400 pessoas foram assistidas pelo posto da Cruz Vermelha no recinto. De acordo com as declarações de Eurico Ruivo, responsável pela coordenação do posto, à Lusa, os casos mais registados foram de «doença súbita, associada ao calor» e ocorreram nas primeiras horas do festival. A Cruz Vermelha assistiu também «pequenos traumas, provocados por quedas e uma ou outra situação de agressão involuntária, no meio da confusão».