A organização do Festival de Paredes de Coura, que encerrou hoje de madrugada, com lotação esgotada para as atuações de Beirut e James Blake, anunciou que a edição de 2015 se fará entre 19 e 22 de agosto.

Mais de 100 mil pessoas passaram pelo evento minhoto durante as quatro noites, segundo comunicado da empresa Ritmos, responsável pelos 21 festivais realizados junto à praia fluvial do Taboão.

Para a última noite estavam reservadas duas propostas diferentes, mas ambas com bastante popularidade, o que ajudou a que o público lotasse o recinto, na que foi considerada «a mais concorrida edição de sempre».

Os norte-americanos Beirut, apesar do alinhamento mais tranquilo do que os de outros nomes que passaram pelo palco principal, conseguiram momentos de «comunhão» perfeita com uma audiência conhecedora dos seus trabalhos.

A fechar, James Blake teve o mesmo género de aceitação, tal como The Growlers, Kurt Vile & The Violaters, ou Hamilton Leithauser (vocalista dos extintos The Walkmen), no palco secundário, onde apresentou um espetáculo completamente baseado no seu primeiro álbum a solo.

«Balanço muito positivo»

O diretor do Festival de Paredes de Coura, João Carvalho, afirmou hoje à Lusa que o balanço do evento, que terminou esta madrugada, é «muito positivo», tendo até em conta a lotação esgotada, «o que nunca aconteceu».

«É um dos festivais mais conseguidos de sempre, quer em termos de coerência musical, quer no que diz respeito ao público», disse aquele responsável, que destacou algumas bandas que acredita virem a tornar-se «um fenómeno musical nos próximos tempos».

«Na minha opinião, Cheatahs e Buke & Gase. Acho que são das bandas que vão crescer muito, assim como os Cage The Elephant, que disseram ter dado aqui o melhor concerto na Europa, onde ainda não têm o protagonismo que já gozam nos Estados Unidos», disse João Carvalho.

Para o diretor do evento minhoto, este continua a ser «o festival da descoberta», referindo os «muitos nomes médios, que são bandas que mostraram em Paredes de Coura o que valiam, como os Thee Oh Sees e os Black Lips».

Ao fim de 21 edições, João Carvalho recordou que «o festival começou como uma brincadeira de adolescentes», mas hoje sente «um enorme orgulho e emoção, olhando ao sucesso deste ano».

«Não podemos deixar de olhar para trás e sentir nostalgia, mas também sentimos orgulho e um carinho muito grande - perdoem-me a imodéstia - por tudo o que fizemos, também, pela música em Portugal», acrescentou.

João Carvalho, natural de Paredes de Coura, enfatizou uma das novidades associadas ao certame deste ano: «O Festival Subiu à Rua foi uma forma de ajudar o comércio local e agradecer aos habitantes que sempre abraçaram este festival com muito carinho».

«Foram quatro dias de música no centro da vila para que os comerciantes ganhassem dinheiro, e para que os courenses passassem um bom bocado. Dizem que é a melhor semana da vida deles, mesmo sem irem ao festival», concluiu.