Chama-se «Off The Beaten Track» e é o documentário que acompanha o último ano e meio de digressões dos Buraka Som Sistema pelo mundo fora, ao mesmo tempo que explica como é que a banda chega à fórmula mágica e original que tem inspirado a música eletrónica internacional.

«Nós não temos muito a esconder. Aquilo que nós somos, e aquilo que sempre fomos, acaba por ser o "Off The Beaten Track": a nossa procura por tudo aquilo de interessante que está a acontecer no mundo», explicou ao tvi24.pt Andro Carvalho, o MC e produtor Conductor.

Para Rui Pité (Riot), DJ e outros dos produtores dos Buraka Som Sistema, a filosofia do grupo tem sido «escolher o caminho paralelo, em vez de ir pela estrada mais conhecida de tudo aquilo que é a música francesa, inglesa, venezuelana ou brasileira».

«É fácil ires à Internet e encontrares os óbvios, [mas] o "Off The Beaten Track" é ires pela estrada secundária, não por não quereres pagar portagem, mas porque tem uma vista mais interessante», afirmou.

Do percurso desta viagem pelos subúrbios urbanos e musicais fazem parte locais tão díspares como a Amadora, Londres, Luanda, Caracas ou Maputo. A vida na estrada, os concertos, e os elogios de Diplo e Santigold são alguns dos destaques deste «Off The Beaten Track», um documentário realizado por João Pedro Moreira, que ajuda também a arrancar, de uma vez por todas, o rótulo colado aos Buraka do «kuduro progressivo».

«A frase kuduro progressivo fomos nós que inventámos um bocado como brincadeira para chamar a atenção para quando aparece uma coisa muito parecida a outra [já existente], mas com um elemento diferente, as pessoas põem "progressivo" à frente [do nome] e fica logo uma cena nova. E foi uma coisa que bateu na parede e voltou para nós. Toda a gente acha que levamos muito a sério a expressão, mas era uma brincadeira», esclareceu Riot.

João Pedro Moreira, realizador de vários videoclips dos Buraka Som Sistema, desde «Sound of Kuduro» em 2008, explicou que não teve a intenção de criar uma narrativa biográfica.

«Não tive essa necessidade, mas tive sim a necessidade de demonstrar que atrás de alguma coisa boa tem de estar um conceito muito forte. E os Buraka conseguiram fazer isso, conseguiram implementar-se na música internacional de uma maneira natural, porque fizeram algo de diferente e criaram uma coisa nova», contou o realizador que assina o documentário.

Riot explicou que a diversidade do grupo está naturalmente ligada às diferentes influências e gostos musicais de cada elemento: «Num projeto em que tens um produtor de hip-hop, uma pessoa mais ligada ao drum'n'bass, ou pessoas ligadas à poesia - isso demonstra que todos temos gostos diferentes e que, trabalhando juntos, vai sair uma coisa única. É sempre esse o objetivo».

«Off The Beaten Track» foi apresentado numa mini-tournée europeia durante o mês de outubro e passou também pelo prestigiado London Film Festival a pedido da própria organização.

Depois da exibição em algumas das principais cidades da Europa, o documentário chega finalmente a Lisboa. No próximo dia 22 de novembro a Aula Magna recebe «Off The Beaten Track» e um concerto de uns Buraka Som Sistema que já preparam um novo álbum.

«Há músicas, mas ainda não há canções. Já tens aquelas ideias mais ou menos bem estruturadas, já dá para trabalhar, para chamar alguém para cantar, e já dá para alterar tudo completamente, que é uma coisa que fazemos muito», revelou Riot, esperando começar a finalizar alguns dos novos temas «até ao final do ano».