A investigação às causas da morte de Prince, que foi encontrado inanimado na sua casa do Minnesota, nos Estados Unidos, a 21 de abril, conhecem novos factos. Afinal quem chamou a ambulância foi o filho de um médico. Por esta altura, para além do xerife, o departamento de combate ao narcotráfico e a procuradoria federal juntaram-se à investigação à morte de Prince.

Enquanto não são conhecidos os resultados finais da autópsia ao cantor de 57 anos, outros dados vão sendo conhecidos, trazendo complexidade ao processo. Um médico da Califórnia, dono de uma clínica de reabilitação, marcou uma conferência de imprensa, na quarta-feira, para esclarecer a sua relação e a do seu filho com o músico.

Através do advogado, o médico especialista em dependências, Howard Kornfeld, fez saber que não chegou a reunir-se com Prince. Segundo William Mauzy, o médico foi contactado pelos representantes de Prince no dia 20 de Abril e o encontro ficou agendado para dia 22.

O Dr. Kornfeld sentiu que se tratava de uma missão para salvar uma vida”, disse o advogado, de acordo com a Reuters.

E William Mauzy fez questão de sublinhar que “o Dr. Kornfield nunca teve a oportunidade de conhecer ou falar com Prince, e, infelizmente, não chegou a tempo de ajudar Prince”.

O filho do médico e os medicamentos com ópio

Há, contudo, uma peça deste puzzle que está a levantar dúvidas. O filho do médico, Andrew Kornfield, viajou para o Minnesota antes do pai, de modo a preparar a entrevista do médico com o cantor. Segundo o advogado, quando Andrew Kornfield chegou à casa de Prince, Paisley Park, no dia 21 de abril, foi-lhe dito que o músico não o podia atender. Prince foi encontrado inanimado por um membro da sua equipa e foi Andrew Kornfield quem chamou o 911 (serviço de emergência médica equivalente ao 112 em Portugal).

Ora, juntando este facto agora tornado público a um outro, que foi conhecido há alguns dias, da presença de medicamentos compostos à base de ópio em casa do cantor, tal pode levar a investigação para outro campo.

A fonte da investigação não esclareceu, contudo, à agência Reuters se a presença dos medicamentos compostos por substâncias à base de ópio foram encontrados nos pertences de Prince ou de outrem e, também, não está confirmado se Prince estava a tomar algo com essa composição para atenuar as dores.

O advogado confirmou que Andrew Kornfield tinha consigo medicação à base de ópio para as suas dores de costas, mas que não deu nenhum desses medicamentos a Prince. O filho do médico foi ouvido pelas autoridades nesse mesmo dia e livre de voltar para casa, na Califórnia.

Howard Kornfield é dono da clínica Recovery Without Walls (Reabilitação sem muros, numa tradução livre), especializada no tratamento da dor crónica e de dependências de droga e álcool.

A hipótese de suicídio foi, desde logo, afastada pelas autoridades. O corpo de Prince também não apresentava sinais de traumatismos. O cantor tinha sido, no entanto, internado, alguns dias antes, devido a uma pneumonia.