O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu esta terça-feira que o fado dá um «contributo inestimável» para a divulgação da cultura portuguesa e a «projeção de Portugal no exterior», tendo «um potencial económico de elevada relevância».

«Para além do seu inegável valor como expressão da nossa cultura, o fado possui também um potencial económico de elevada relevância para o país. O seu impacto positivo nas empresas ligadas ao audiovisual e à produção de espetáculos, e a criação de postos de trabalho, têm sido uma constante nesta trajetória de sucesso», declarou Cavaco Silva, como reporta a Lusa.

O Presidente da República falava na cerimónia de condecoração dos fadistas Ana Moura, Carminho, Kátia Guerreiro e Ricardo Ribeiro, e do guitarrista e compositor Mário Pacheco, que decorreu no Museu do Fado, em Lisboa, onde Cavaco Silva foi recebido pelo presidente da Câmara da capital, António Costa.

Na cerimónia de entrega da Comenda da Ordem do Infante D. Henrique àqueles artistas, o Chefe de Estado afirmou que «a capacidade de renovação do fado é visível no aumento vertiginoso do número de discos editados e vendidos, de espetáculos produzidos e esgotados, de prémios conquistados».

«Tudo isto representa um contributo inestimável para a divulgação da nossa cultura e para a projeção de Portugal no exterior», sustentou.

O Presidente defendeu a importância de garantir que o reconhecimento do Fado como património imaterial da Humanidade pela Unesco (organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) «não se tratou apenas de um galardão simbólico, sem consequências visíveis».

«É preciso continuar a trabalhar na promoção desta arte única, através da distinção dos seus intérpretes e criadores mais notáveis, para que o fado alcance o justo lugar a que tem direito no panorama da música universal», considerou.


Cavaco Silva salientou que existe hoje em Portugal «uma geração de fadistas que trouxe para o fado uma alma nova, um timbre diferente» e que graças ao seu talento «conquistaram-se novos públicos e o fado adquiriu um lugar indiscutível na vida cultural do país», aprofundando-se a ligação entre fado e literatura, «na senda da linha aberta por Alain Oulman e pela voz eterna de Amália Rodrigues».

O Presidente disse querer homenagear, com estas condecoraçõesm, «um conjunto de intérpretes e criadores de excelência, que deram nos últimos anos um contributo excecional para o enorme êxito que o fado tem conhecido».

«A riqueza dos seus percursos individuais, a criatividade e o dinamismo já demonstrados, o triunfo que alcançaram nas grandes salas de espetáculo dos quatro cantos do mundo são merecedores de reconhecimento por parte de todos os portugueses», declarou.


Cavaco Silva agradeceu aos condecorados «o que têm feito por Portugal, na certeza de que irão continuar a honrar o país nas sete partidas do mundo», reporta a Lusa.