Primeiro a Lua, depois Berlim. O terceiro e último dia do NOS Primavera Sound ficou marcado pela música eletrónica: as paisagens espaciais dos Air, que elevaram os corações dos milhares que se deslocaram ao Parque da Cidade do Porto, e, uma hora mais tarde, os ambientes industriais que fizeram de Berlim a capital do techno com Moderat.

Era a banda que a maioria aguardava. A dupla francesa Air espalhou charme e romantismo pelo Porto, numa noite que esteve mais amena do que as anteriores. Com o universo do disco "Moon Safari" (1998), um dos álbuns marcantes da sua discografia, Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel tocaram as melodias que os fãs sabem de cor.

"É esta, é esta", ouviu-se mal "Sexy Boy" começou. E o público dançou e dançou, envolvido na sensualidade do tema. Era afinal aquele tema porque tantos esperavam - talvez por ser um dos mais conhecidos.

Momentos antes, "How Does It Make You Feel" e "Playground Love" tinham convidado o público a viver algo diferente: uma experiência mais introspetiva e melancólica. Pelo meio, ainda houve a doce "Cherry Blossom Girl" e a vibrante "Kelly Watch The Stars".

Elegantes, como a sua música, os Air conquistaram o público e este deixou-se conquistar, ainda que, a espaços, as conversas laterais se sobrepusessem às melodias. "É música para ouvir sentado", disseram ao nosso lado.

 

A música eletrónica esteve neste último dia de NOS Primavera Sound em grande plano, que é como quem diz, em destaque no palco principal. E depois do safari pela Lua dos Air, houve êxtase com a techno dos Moderat, apesar dos problemas de som.

Na bagagem, o projeto que surgiu como uma união de forças entre Modeselektor e Apparat, trouxe o último álbum, "III". As batidas conjugaram-se na perfeição com o espetáculo visual e o público vibrou do início ao fim. 

O cocktail de energia dos Battles 

No Palco Super Bock houve rock matemático e experimental com os Battles, que trouxeram uma bateria frenética. É impossível ficar indiferente à energia dos norte-americanos, mesmo que não se seja fã. E o recinto encheu-se de saltos e braços no ar.  

A banda de Ian Williams, John Stanier e Dave Konopka veio apresentar o último álbum "The Yabba", mas também visitou outros trabalhos, incluindo o tema "Atlas", porventura o mais interessante de toda a discografia. E até houve um fã "especial": o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que, de forma discreta, foi ver a atuação junto ao palco por uma entrada reservada ao staff, aproveitando para tirar fotografias. 

Uma hora antes, o pôr do sol aconteceu ao som de Chairlif no Palco NOS. A banda trouxe canções indie pop, leves e frescas, que souberam animar o público. Enquanto isso, os Autoloux proporcionavam o oposto no Palco . (ponto): rock negro e riffs sombrios.

Este último dia de NOS Primavera Sound começou com os espanhóis Manel, mas foram os portugueses Linda Martini, que tocaram logo depois, os primeiros a atrair um grande número de festivaleiros. Com guitarras e letras para exorcizar fantasmas, já cá andam há muito tempo e têm um publico que lhes é muito fiel. E isso comprovou-se uma vez mais aqui.

Sob o sol quente que pousava sobre o Parque da Cidade, a banda apresentou o último álbum "Sirumba" com temas como "Unicórnio Santa Engrácia" ou a canção que dá nome ao disco. E ainda houve tempo para visitar trabalhos mais antigos, com músicas como "Amor Combate" ou "Cem Metros Sereia", tema que encerrou o concerto.

Festival regressa em 2017

A quinta edição do NOS Primavera Sound termina ao fim de três dias de muita música e concertos que ficarão, certamente, na memória de quem por aqui passou. PJ Harvey, Brian Wilson, Sigur Rós, Air ou Moderat só para lembrar alguns.

A organização já confirmou que haverá nova edição em 2017, a decorrer nos dias 8, 9 e 10 de junho. É caso para dizer: para o ano há mais!