O presidente cessante do governo da Madeira, Alberto João Jardim, votou este domingo de manhã no Funchal para as legislativas regionais, afirmando que deixa o cargo sem «grandes recordações» do PSD e com «saudade das coisas boas».

Alberto João Jardim esteve cerca das 10:30 na secção de voto F, na Escola Francisco Franco, onde disse aos jornalistas que, ao não fazer parte de uma candidatura, se vota «com um ar muito menos pesado, muito menos preocupado».

«É o final de toda a minha intervenção na vida política como militante partidário, embora não leve grandes recordações do PSD, principalmente por causa do PSD de Lisboa», referiu, sublinhando, tal como tinha já feito na sexta-feira, que o processo de marcação de eleições antecipadas tem a sua «marca».

«A gente sente sempre saudades das coisas boas e sente um alívio por deixar as coisas más», acrescentou.


Sobre o novo ciclo político de que tinha também já falado, depois dos seus quase 40 anos à frente do Governo Regional, o social-democrata afirmou não querer fazer vaticínios para os próximos quatro anos: «Vamos lá ver como é que eles correm. Se correrem bem, dentro de uma linha de reforço da autonomia e fora das amarras coloniais, obviamente terá todo o meu apoio».

Jardim adiantou que irá acompanhar a noite eleitoral no Porto Santo, com duas televisões, uma sintonizada no jogo de futebol Portugal – Sérvia e outra nas eleições do arquipélago.

A secretária do seu gabinete na Quinta Vigia, sede da presidência do Governo Regional, ficou arrumada já há dois meses, até porque fez algumas deslocações nos últimos tempos.

«Se for lá neste momento não vê toda aquela tralha que lá tinha», comentou.


Alberto João Jardim, que sempre governou a região com maioria absoluta, não participou na campanha eleitoral, mas compareceu no último dia, na sexta-feira, em duas inaugurações.

À margem de uma delas, considerou que se «fugiu aos grandes temas» na campanha – a «posição futura de Portugal na Europa e no mundo», a autonomia e a resolução da dívida pública madeirense.

Questionado então pelos jornalistas sobre a possibilidade de se afastar da política, respondeu com prontidão: «Isso nunca. Sou um cidadão que vai participar na vida política, agora com o estatuto de simples cidadão, mas muito mais livre para dizer aquilo que tive de conter».

As eleições antecipadas de hoje foram marcadas na sequência do pedido de exoneração de Jardim, entregue depois da sua substituição na liderança do PSD/Madeira.

No escrutínio concorrem 11 forças políticas – oito partidos e três coligações.