O Banco Central Europeu (BCE) reviu esta quinta-feira em baixa a previsão macroeconómica para a Zona Euro para 2009, antecipando agora uma contracção da actividade entre 2,2 e 3,2 por cento, com um ponto médio de 2,7%.

Em Dezembro, a previsão do BCE apontava para uma contracção de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Quanto a 2010, o BCE prevê já a possibilidade de alguma retoma, apontando para um intervalo entre uma contracção de 0,7% e um crescimento de 0,7%, sendo o ponto intermédio uma estagnação da actividade.

BCE baixa taxa de juro para 1,5%

Governo congratula-se

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse ainda esperar que as medidas anti-crise produzam já alguns efeitos, mas alertou para a existência de riscos, como a tendência proteccionista ou uma correcção inadequada dos desequilíbrios macroeconómicos.

Esta quinta-feira, o BCE reviu ainda em baixa a previsão da taxa de inflação, de 1,4 para 0,4 por cento, esperando que a taxa baixe ainda mais em 2010.

«Com a decisão de hoje esperamos que a estabilidade de preços esteja garantida», disse. O presidente admitiu a possibilidade de uma taxa de inflação negativa em meados do ano devido ao pico atingido em meados de 2008 no preço do petróleo.

O BCE não exclui a adopção de medidas menos usuais, como a compra de títulos de dívidas a empresas, disse Trichet na conferência de imprensa que se seguiu à reunião onde o banco cortou a taxa de juro de referência para 1,5%. Trichet disse ainda que o BCE vai prolongar os leilões sem limite de empréstimos até 2010.

O responsável falou ainda dos défices dos países da Zona Euro, sugerindo que os países que não prosseguirem a consolidação orçamental sejam castigados por isso.

«São precisos compromissos credíveis», disse Trichet, falando dos Governos dos Estados-membros, acrescentando que o BCE apoia «a decisão da Comissão Europeia, de levantar procedimentos por défices excessivos a alguns países».