A porta-voz do BE, Catarina Martins, disse este sábado que o novo ministro da Cultura "é um nome respeitado", mas o que "interessa é o concreto das políticas públicas", porque "será preciso fazer muito para estar à altura do que o país precisa".

Catarina Martins falava hoje à agência Lusa à margem do almoço comemorativo dos 17 anos do Bloco de Esquerda, tendo sido questionada sobre a escolha hoje conhecida do embaixador Luís Filipe Castro Mendes, atual representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo, para novo ministro da Cultura, depois da saída de João Soares.

"O que é preciso agora é haver um mandato. É com certeza um nome respeitado, mas o que interessa é o concreto das políticas públicas para a cultura que Portugal não tem tido e precisa ter", defendeu, alertando que "será preciso fazer muito para estar à altura do que o país precisa neste momento".

Na opinião da porta-voz bloquista, Portugal nunca efetivou, "de facto, na democracia esse direito de acesso à cultura e um país não será qualificado nem terá uma democracia exigente e uma cidadania ativa senão tiver a cultura presente no centro da política".

"O Bloco de Esquerda aqui estará como sempre para ser uma voz ativa sobre as políticas públicas da cultura, o acesso à cultura. Preocupa-nos muito o Orçamento do Estado para a Cultura, já o dissemos antes", vincou ainda.

Questionada sobre se a polémica que esteve em torno da saída de João Soares e uma reestruturação tão cedo fragiliza a pasta da Cultura, Catarina Martins foi perentória: "Fragilizar uma pasta como fragilizar um Governo é manter um ministro que não tenha condições, que não se considere que tem condições para ocupar o seu cargo e trabalhar no seu cargo plenamente".

"Desse ponto de vista, julgo que esta é a solução boa. João Soares disse o que não podia ter dito, fez aquilo que devia fazer", concluiu.

 

PCP exige resposta aos problemas do setor

 

O dirigente comunista Jorge Cordeiro disse que independentemente de quem seja o titular do Ministério da Cultura o importante é “haver uma resposta” aos problemas que afetam o setor.

“Aquilo, sobretudo, que queremos relevar é a necessidade de, seja qual for o titular da pasta da Cultura, poder haver uma resposta ao conjunto de problemas que afetam todo o setor de que estamos a falar, que foi conduzido ao longo de anos e particularmente nos últimos quatro anos a um subfinanciamento crónico, que prejudica a criação cultural, que prejudica a proteção do nosso património, que deixa sem resposta milhares de produtores”, afirmou aos jornalistas Jorge Cordeiro, em Ponta Delgada, Açores.

O dirigente da comissão política do comité central comunista reafirmou que o PCP “considerou absolutamente natural a demissão do dr. João Soares pela situação criada pelas declarações proferidas”.

“No momento que dissemos e sublinhámos quando fizemos essa declaração - a minha camarada Ana Mesquita – de que o que relevávamos não era esse episódio e a dimensão que ele assumiu, mas sobretudo a nossa preocupação de que os problemas culturais fossem discutidos e é hoje isso que voltamos a fazer”, adiantou, notando que “o problema não está no titular”.

Para Jorge Cordeiro, a resposta que o PCP procurará encontrar é que, “por exemplo, no Orçamento do Estado para 2017 seja possível corresponder de uma forma diferente e bastante diferente para melhor, do que foi possível corresponder em 2016 no setor da Cultura”.

O embaixador Luís Filipe Castro Mendes, atual representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo, é o novo ministro da Cultura que tomará posse na próxima quinta-feira, dia 14, segundo o 'site' da Presidência da República.

O novo ministro da Cultura substitui na pasta João Soares que apresentou, na sexta-feira, ao primeiro-ministro, António Costa, a demissão das suas funções no Governo, invocando razões de solidariedade com o executivo.

O pedido de demissão, aceite pelo primeiro-ministro, foi feito na sequência de ameaças de agressão física aos comentadores Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, do jornal Público, e constitui a primeira ‘baixa’ do XXI Governo Constitucional, menos de cinco meses após a tomada de posse.

A demissão foi apresentada depois de o primeiro-ministro, na noite de quinta-feira, em declarações aos canais de televisão, ter pedido desculpa aos colunistas do Público, nomeadamente Augusto M. Seabra, por quem confessou "particular estima", e Vasco Pulido Valente, por quem declarou "consideração".