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Diretas no PS «como no tempo do salazarismo»

Marcelo Rebelo de Sousa critica a «ideia talentosa» de Seguro para «controlar» o grupo parlamentar que está «sempre a fazer-lhe a folha»

Por: Redacção / CP    |   2012-04-01 22:14

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a alteração dos estatutos do PS, aprovada na Comissão Política Nacional deste sábado, foi uma «jogada politicamente importante de Seguro».

Referindo-se às futuras eleições diretas na escolha dos candidatos socialistas a deputados, o comentador lamentou que «ganhe a lista que tiver mais votos, como no tempo do salazarismo».

«É não só uma ideia talentosa para controlar um grupo parlamentar que está sempre a fazer-lhe a folha, mas também assegura que, se Seguro for eleito no início de 2013, não terá tem de enfrentar mais ninguém até às legislativas e será candidato a primeiro-ministro», afirmou, no seu comentário na TVI.

Marcelo aponta que António Costa fica assim «condenado a esperar por 2015», para «apanhar os pedaços» do PS em caso de derrota de Seguro, ou «ser candidato presidencial».

«Um líder forte não precisa destas golpaças de revisão de estatutos, violando-os. Se faz isto enquanto líder oposição, o que fará quando for primeiro-ministro? Seguro fez uma tropelia aos estatutos que nem Sócrates conseguiu fazer», acrescentou.

«Não sei se o verdadeiro vencedor disto não é Passos Coelho, porque assim garantiu Seguro como adversário e não sei se isso não será preferível a ter Costa ou outro qualquer», concluiu.

PS responde

O PS reagiu a estas declarações em comunicado, «lamentando e repudiando veementemente» o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, garantindo que partiu de pressupostos «falsos».

«As diretas para a escolha de candidatos a deputados adotam o princípio da proporcionalidade para a elaboração da lista final e não o princípio maioritário. O Dr. Marcelo Rebelo de Sousa faltou à verdade», acusam os socialistas.

O partido sublinha que as eleições para os órgãos nacionais realizam-se no próximo ano, «nos mesmos prazos previstos pelos atuais estatutos». «Ao contrário do que afirmou o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, o Congresso Nacional nunca, mas nunca, esteve previsto realizar-se no início do ano de 2013. O Dr. Marcelo Rebelo de Sousa voltou a faltar à verdade», apontam.

«O processo de elaboração dos novos estatutos foi transparente e participado (...) Foi um processo aberto, transparente, público sobre a modernização do PS, no qual se envolveram milhares de simpatizantes e muitos independentes. Não foi um processo feito à sucapa e à ultima da hora. Foi um processo debatido ao longo de seis meses. Também aqui o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa faltou à verdade», continuam.

O Secretariado Nacional do PS termina a nota adiantando que vai solicitar o direito de resposta à TVI «perante tamanha falta de ética ou de profissionalismo» de Marcelo.

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