A agência de notação financeira Moody's acredita que a maioria das economias da União Europeia (UE) e dos sectores económicos europeus terão capacidade de resistência face a um possível cenário de recessão na Rússia.

De acordo com um relatório da agência de rating norte-americana divulgado esta sexta-feira, a maioria das economias dos 28 e os respetivos setores económicos sofreriam apenas prejuízos de crédito menores em caso de um decréscimo significativo no crescimento económico russo e de perturbações nas relações comerciais e financeiras entre Moscovo e a União Europeia, em virtude de um prolongamento da crise na Ucrânia.

«As nossas previsões indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia vai contrair em 1% este ano e não terá impacto sobre a economia da UE ou no perfil de crédito dos emissores europeus», referiu Marie Diron, vice-presidente sénior da Moody's, conforme a Lusa cita.

«Mesmo que uma escalada da crise geopolítica leve a uma maior desaceleração económica na Rússia ou a alterações nas relações comerciais e financeiras isso não teria, na maioria dos casos, um impacto económico ou de crédito significativo na UE», acrescentou a responsável.

No entanto, a agência de notação financeira admitiu, no mesmo relatório intitulado «Russia & the EU: EU Economies Would Be Resilient to a Russian Recession», que fatores como o aumento do preço do gás e a diminuição dos níveis de confiança poderão assumir-se como desafios para a economia europeia.

«No entanto, mesmo em cenários mais extremos envolvendo graves perturbações no comércio e aumentos nos preços de gás, a Moody¿s acredita que o impacto global sobre a UE seria limitado a uma relativamente pequena redução no crescimento no PIB, de menos de 1 ponto percentual em 2015», destacou o documento.

De acordo com a Moody's, o impacto poderia ser amplificado para um pequeno número de emissores com maior exposição ao mercado russo, mas, mesmo assim, «o impacto no crédito seria limitado».

«Até mesmo nos países do Báltico e em Chipre, que têm uma maior exposição ao mercado russo através do comércio e do investimento estrangeiro direto, é pouco provável que enfrentem mudanças significativas nos respetivos perfis de crédito soberano, como resultado direto das graves tensões na Rússia», acrescentou o documento da agência de rating.

Em finais de abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento da Rússia para 0,2% em 2014, contra 1,3% anteriormente apontados, devido às repercussões das sanções da comunidade internacional (UE e Estados Unidos) motivadas pela crise na Ucrânia.

No mesmo mês, um responsável do Ministério das Finanças russo alertou que a Rússia corre o risco de entrar em recessão no segundo trimestre deste ano, após ter registado uma contração do PIB no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores.

«O Ministério da Economia apresentou a sua estimativa de crescimento para o primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2013, corrigida com as variações sazonais, fixando-a nos -0,5%», indicou na altura o chefe do departamento de previsões estratégicas do Ministério das Finanças russo, Maxime Orechkine.

«Parece que no segundo trimestre teremos novamente um número negativo. De facto, o Ministério das Finanças não exclui uma recessão técnica», acrescentou Maxime Orechkine.

Nos últimos anos, a economia russa tem abrandado. O crescimento passou de 4,3% em 2011 para 3,4% em 2012 e depois 1,3% em 2013.