A Universidade Católica melhorou esta quarta-feira as previsões para o crescimento económico em 2014, dos 0,8% para os 1,4%, mas alertou para uma eventual «sobre reação no curto prazo» e para os desafios orçamentais persistentes, numa altura de «grande desgaste das autoridades».

Na sua folha trimestral, o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, considera que o desempenho da economia nacional em 2014 vai depender da «intensidade da recuperação do investimento e da manutenção de níveis robustos de crescimento das exportações».

Destacando a «continuada descida das taxas de juro», os «ligeiros crescimentos no investimento» e o «saudável crescimento das exportações», os economistas do NECEP alertam, no entanto, que «as restrições e incertezas de caráter orçamental são o maior risco desta previsão».

O NECEP adverte ainda que «os sinais positivos de recuperação podem estar demasiado influenciados por uma mudança rápida e favorável das perspetivas da generalidade dos agentes económicos, não podendo ser excluída a hipótese de uma sobre reação no curto prazo».

Além disso, a Católica refere que os «desafios de caráter orçamental não foram ainda ultrapassados», considerando que «há já um grande desgaste das autoridades que poderão abrandar esse esforço na primeira oportunidade».

Para o primeiro trimestre, os economistas da Universidade Católica esperam que a economia tenha crescido 0,2% em cadeia e 2,2% em termos homólogos, registando «o quarto trimestre consecutivo de crescimento e mantendo o quadro de recuperação do último trimestre de 2013».

Quanto à taxa de desemprego, a estimativa é de que esta tenha registado "uma ligeira descida" no primeiro trimestre, para os 15,1%.

Apesar de referir que a generalidade dos indicadores «abandonaram mínimos históricos e alguns regressaram aos seus valores médios", o NECEP sublinha que "a economia portuguesa ainda não regressou à normalidade, tendo recuperado apenas cerca de 2% dos 7% que contraiu face a meados de 2010».

Os técnicos da Universidade Católica consideram que «a recuperação [económica] até aos patamares de 2010 poderá ser relativamente rápida», mas alertam que, «a partir desse nível, as restrições e custos de financiamento podem pesar negativamente no crescimento do investimento e, por conseguinte, na evolução do PIB a médio prazo».

Para 2015, o NECEP também reviu em alta a sua projeção: em janeiro, estimava que a economia portuguesa crescesse 1,4% e, agora, calcula que cresça 2% no próximo ano, embora considere que «há fatores de incerteza que dificultam este exercício de previsão».

Entre estes fatores, o NECEP destaca o elevado nível de endividamento da economia portuguesa, que «pode limitar a recuperação rápida do investimento observada em ciclos recessivos anteriores».

O Governo e os credores internacionais preveem que a economia portuguesa cresça 1,2% em 2014 e 1,5% em 2015. Quanto à taxa de desemprego, antecipam que seja de 15,7% este ano e de 14,8% no próximo, escreve a Lusa.