A «saudade» das políticas de Guterres e Sócrates no combate à pobreza extrema arrancou, este sábado, o aplauso na leitura das conclusões da convenção nacional da candidatura de António Costa à liderança do PS.

Na leitura sucessiva das conclusões dos nove painéis temáticos, Carlos Farinha Rodrigues, que coordenou o painel sobre o reforço da coesão social, evocou aqueles anteriores líderes socialistas, ao defender o regresso «às políticas de combate à pobreza extrema de Guterres e Sócrates».

Concluía que é preciso combater a pobreza e valorizar o trabalho, corrigindo as desigualdades na repartição primária do rendimento, considerando a primeira um obstáculo ao desenvolvimento.

Foi também de distribuição de rendimento que falou Luís Filipe Costa, ao ler as conclusões do painel dedicado à modernização empresarial, em que se defendeu a competitividade assente na diferenciação pela qualidade e inovação e não nos baixos salários, até porque o mercado interno «é fundamental para gerar emprego e receitas fiscais».

Miguel Cabrita, do painel sobre o emprego e a valorização do trabalho, enumerou como prioridades o diálogo social, negociando um entendimento de longo prazo com os parceiros, o combate à precariedade, premiando as empresas cumpridoras e o regresso aos programas de qualificação, como o das Novas Oportunidades.

A qualificação passa pelo acesso à Educação, mas também à Cultura, área que deve voltar a ter um ministério próprio, segundo Vieira Nery, sem com isso se pretender tutelar, mas antes garantir assento em Conselho de Ministros a uma verdadeira política cultural, dotada de meios adequados e articulação.

Encarar o futuro passa, para os apoiantes de António Costa, em aproveitar os aspetos positivos que o governo da maioria PSD/CDS «interrompeu», nomeadamente na Ciência, de cujo painel Guedes de Oliveira leu as conclusões, que apontam para a retoma da trajetória de valorização dos recursos humanos, regressando a tutela dos doutoramentos às universidades e acabando com «a visão utilitarista de que a Ciência tem de produzir resultados imediatos».

É nos resultados da investigação científica que se deve apoiar a nova economia do mar, segundo o respetivo painel, apresentado pelo almirante Melo Gomes, para quem o mar é, tal como a Língua, um dos principais ativos estratégicos do país, que tem sido desaproveitado.

«Perdemos empresários do mar e não temos aproveitado economicamente as suas potencialidades, com a grande evolução da Ciência e do conhecimento, um caminho que tem vacilado na inconstância da liderança política», criticou, concluindo pela necessidade de ser dada prioridade política ao mar.

Em terra, discutiu-se as assimetrias do território e o envelhecimento da sua ocupação no interior, num painel coordenado por Anselmo Castro, e concluiu-se que é preciso mais do que medidas de apoio à natalidade de «duvidosa eficácia», do esforço feito pelas autarquias do interior para fixar população, ou de iniciativas avulsas voluntaristas.

A urgência do problema justifica que seja criada uma unidade de missão para as zonas de mais baixa densidade populacional e provocar um verdadeiro movimento de migração interna que ajude a resolver os problemas igualmente graves do Litoral sobrepovoado.

O regresso das pessoas ao interior só será possível com empresas e serviços que as apoiem, o que toca nas questões da modernização do Estado, tornando-o «mais próximo, estável e previsível, mais sustentável, simples e inteligente, e mais amigo do desenvolvimento económico», segundo foi defendido no respetivo painel coordenado por Nuno Santos.