Ucrânia e EUA avisam Rússia contra «agressão» na Crimeia

Moscovo colocou tropas em alerta junto à fronteira. Bandeira russa hasteada no Parlamento regional da península ucraniana

Por: Redação / AR    |   27 de Fevereiro às 21:05
Cresce a preocupação na Ucrânia após a Rússia ter iniciado manobras militares junto à fronteira com a Crimeia. O presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, já advertiu que quaisquer movimentos das tropas russas fora da base naval na Crimeia serão considerados uma «agressão militar», um ato provocatório, noticia a BBC News.

Os exercícios começaram na quarta-feira a pedido do Presidente russo, Vladimir Putin, que colocou em alerta as tropas do Oeste e Centro do país, com o intuito de «verificar a prontidão de combate».

O ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, referiu que os exercícios não estão relacionados com os últimos desenvolvimentos na Ucrânia, onde as tensões continuam após a destituição de Ianukovich, mas são para garantir a segurança da base naval de Sebastopol.

«Gostaria de chamar a liderança da Federação da Rússia a respeitar os acordos básicos sobre a presença militar russa na República Autónoma da Crimeia», disse Turchynov citado pela BBC.

A primeira reação da Rússia à destituição de Viktor Ianukovich, a par de violentos protestos contra a interferência russa no processo de associação de Kiev à União Europeia, também já levou os Estados Unidos a alertarem contra qualquer intervenção militar por parte de Moscovo.

De acordo com a Reuters, o secretário de Estado dos EUA alertou que a Rússia incorrerá num «grave e imenso erro» se intervier na Ucrânia. Ao mesmo tempo, John Kerry anunciou a concessão de um empréstimo de mil milhões de dólares ao novo Governo de Kiev, numa altura em que os dois maiores bancos da Rússia congelaram as linhas de crédito para a Ucrânia.

Separatismo: bandeira russa hasteada no Parlamento da Crimeia

De acordo com a BBC, o Presidente interino da Ucrânia expressou também preocupação com o que chamou de «séria ameaça» separatista no país. A advertência de Oleksander Turchinov, esta quinta-feira, vem depois de homens armados pró-russos terem tomado o parlamento regional da Crimeia em Simferopol, capital da república, palco de confrontos entre grupos pró e anti Rússia. A bandeira russa foi hasteada sobre o edifício.

O parlamento da Crimeia disse que pretende organizar um referendo sobre a reivindicação de mais autonomia do Governo central em Kiev.

Face ao aumento da tensão na Ucrânia, as agências russas de notícias afirmam que o Presidente deposto ucraniano, Viktor Ianukovych, está na Rússia e vai falar na sexta-feira.

A Ucrânia vive um momento de tensão entre sentimentos nacionalistas, despertada com os protestos que resultaram no afastamento do Presidente pró-Rússia Ianukovych. A Rússia considera a deposição de Ianukovych como um golpe da oposição, enquanto a maioria dos países da União Europeia apoia a mudança de Governo.

De acordo com o repórter da BBC em Simferopol, a violência na cidade ilustra a complexidade da situação da região, que piorou perante o vazio de poder.

«Os habitantes pró-russos da Crimeia temem que o novo Governo em Kiev represente uma ameaça aos laços com Moscovo», afirma Daniel Sandford.

Já os habitantes da Crimeia de etnia tártara apoiam a mudança. Tidos como os primeiros ocupantes da região, os tártaros sofreram uma invasão russa no século XVIII e, nos anos 1940, acabaram expulsos da região por Estaline e só regressaram à Crimeia nos anos 1990.
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EM BAIXO: Viktor Ianukovich e Vladimir Putin (Lusa)
Viktor Ianukovich e Vladimir Putin (Lusa)
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